quarta-feira, 2 de março de 2011

DISCIPLINA DE FISIOLOGIA


1. INTRODUÇÃO



O termo fisiologia define a ciência que estuda o funcionamento do organismo e ela de per si, explica a própria vida. Podemos também defini-la como a teoria que estuda as funções dos seres vivos, analisando-as com o emprego, sobretudo, de métodos biofísicos. Podemos ainda defini-la como a ciência que estuda o funcionamento de todas as partes do organismo vivo, bem como do organismo como um todo.

Sem o conhecimento dos processos vitais, isto é, se não conhecemos a fisiologia, jamais poderemos compreender as alterações causadas pelas enfermidades, nem suas manifestações às quais denominamos sintomas. Ex.: Por que o diabético bebe muita água ?

A fisiologia pesquisa os fenômenos vitais sob o aspecto das diversas funções dos órgãos na produtividade e capacidade de adaptação dos animais à alta produção, passatempo e esportiva.


Podemos dizer que existem quatro tipos de fisiologia, que são: dos microorganismos, dos vegetais, dos animais e humana.

A fisiologia integra-se a inúmeras ciências que são a morfologia, bioquímica, física, biofísica, química, genética, etc., sendo que as duas primeiras são as principais.

Num estágio mais avançado do Curso de Medicina Veterinária, o acadêmico estudará a Patologia e a Fisiopatologia.

A Fisiopatologia estuda:
- O desenvolvimento dos processos vitais sob condições patológicas;
- Utiliza-se da doença provocada experimentalmente;
- Esclarece as relações entre os distúrbios funcionais de um órgão e a atividade de outros em relação ao todo.

A Fisiologia divide-se em Geral e Especial. A Fisiologia Geral estuda os processos vitais em nível celular. A Fisiologia Especial estuda as funções dos órgãos individualmente e a coordenação das funções no contexto geral do organismo.

A Fisiologia Especial divide-se em Fisiologia Vegetativa e Fisiologia Animal. A primeira estuda o coração, sangue, circulação, respiração, digestão, absorção, metabolismo, trocas energéticas, regulação da temperatura e excreção. A Segunda estuda os órgãos dos sentidos, Sistema Nervoso Central, Sistema Nervoso Periférico, Músculos, Movimentos e Comportamento dos Animais.

Para compreendermos melhor o tema, necessário se faz que conheçamos melhor a constituição do organismo, que como se sabe é constituído por células - cerca de 75 trilhões no homem. Cada célula é de per si um organismo vivo e, por conseguinte capaz de realizar reações químicas e se reproduzir, contribuindo assim para o funcionamento global do organismo como um todo.
As células são unidades que formam os órgãos e cada órgão desempenha sua função especializada própria.
Todas as células vivem imersas em um líquido – líquido intersticial – que constantemente é trocado entre células e sangue e essa massa líquida por encontrar-se fora das células é denominada líquido extracelular.
Para que as células do corpo continuem a viver é necessário que a composição do líquido extracelular, a quem Claude Bernard (1.872) denominou “milieu intériur” seja controlada com muita precisão e só se permite uma variação em limite muito estreito. Foi Claude Bernard, pioneiro francês da Fisiologia Moderna, quem percebeu a capacidade dos animais de fazer essa regulação em limites estreitos, afirmando que “a constância do meio interno é a condição da vida livre”. Apesar do fato dos animais parecerem viver confortavelmente em muitos ambientes, a maioria dos habitats é na verdade muito hostil às células animais, daí se concluindo que a capacidade de sobrevivência é estressante. As alterações ambientais que atuam sobre o exterior do animal (por ex., água muito salgada) poderiam ser a principal força de ruptura do meio interno celular, tecidual, e da função do órgão, não pelos sistemas de controle fisiológico que são direcionados para a manutenção das condições relativamente estáveis dentro dos tecidos e do corpo do animal. Esta tendência dos organismos a manter uma relativa estabilidade interna é chamada de homeostasia, (também chamada homeocinese) termo este criado por Walter Cannon (1.929) – conceituadíssimo fisiologista – que quer dizer equilíbrio; portanto o organismo busca sempre e avidamente a homeostasia, pois do contrário as células se prejudicam advindo as doenças. Essa homeostasia é conseguida através funcionamento de vários órgãos e sistemas.

O Sistema Circulatório representado pelo coração e vasos sangüíneos transportam o sangue contendo água e substâncias importantes, para todo corpo, ocorrendo trocas para manter o meio interno.

O Sistema Respiratório transporta o oxigênio do ar para o sangue que por sua vez o transporta para todo líquido que cerca as células. O gás carbônico (CO2) liberado pelas células passa por esse mesmo líquido, é misturado com o sangue e daí é eliminado pelos pulmões.

O Sistema Digestivo processa os nutrientes, os quais são absorvidos para o sangue e rapidamente distribuídos pelos líquidos orgânicos para serem utilizados pelas células.

O Fígado, Glândulas Endócrinas e alguns outros órgãos participam do que chamamos metabolismo intermediário que transforma nutrientes em substâncias que podem ser utilizadas pelas células.

Os Rins removem os resíduos dos nutrientes após seu uso.

Outros órgãos atuam nos sentidos, como ouvir, enxergar, sentir, emitir sons, etc., sentidos esses que auxiliam na procura do alimento, na reprodução e na defesa.

Não devemos deixar de nos aperceber que para uma perfeita homeostasia, são decisivos os sistemas de controle de feedback. E o que significa esta palavra ? Em resumo seria o retorno da informação sensorial para o controlador que regula uma variável controlada. O feedback pode ser tanto positivo como negativo. Explicações sobre este sistema serão desenvolvidas em aula.

2. HISTÓRICO

Várias razões vêm contribuindo para a grande fascinação que a Fisiologia Animal tem despertado através dos séculos. Tomando-se por base todos os estudos da fisiologia animal, é de suma importância sabermos como os animais agem individual e socialmente. Como o coração de um beija-flor pode bater 20 vezes por segundo, durante o vôo? Como determinadas espécies sobrevivem no deserto, sem acesso à água? Como e por que as plantas crescem ? Como se realiza a digestão ? Como ocorre a reprodução ? Por que os animais apresentam comportamento diferente entre as espécies ? Estas questões vêm alimentando a curiosidade de fisiologistas, não havendo limites para a busca desse conhecimento científico, porque na opinião geral dos pesquisadores, quanto mais percebemos, quanto mais aprendemos o quão pouco sabemos sobre sistemas fisiológicos dos animais.

O estudo da Fisiologia Animal pode ser traçado desde os escritos mais antigos de estudiosos. Os processos vitais vêm ocupando os homens desde tempos remotos. No Egito, cerca de 5.000 a.C. já se mantinham animais domesticados e antes da ordenha os terneiros já eram atados juntos da mãe para facilitar a ordenha. Isto prova o conhecimento pelo homem daquela época, do reflexo de ejeção do leite.
Para atravessar os rios, os pastores levavam os terneiros nos ombros, fazendo com que as mães os acompanhassem. Nas câmaras mortuárias existem pinturas com nascimento de animais com o auxílio humano.

O mais antigo veterinário que se tem notícia é o sumérico Urlugaledina – cujo nome se conhece através de um lacre – que trabalhava em Lagarsh cerca de 2.050 a.C.

O fundador da Medicina Veterinária na Grécia foi Cheiron que lecionava a arte de curar por meio de fórmulas mágicas, tratamento através de medicamentos e cirúrgico.
Aristóteles (Século IV a.C.) documentou a freqüência dos batimentos cardíacos num embrião de um pinto em desenvolvimento, daí ser considerado o fundador da Embriologia.

Na idade média existiam poucos veterinários os quais se dedicavam principalmente aos cavalos e os ferravam. Tratavam principalmente cólicas, doenças de cascos, sangrias e distúrbios de locomoção.

Com o desenvolvimento da indústria surgiram as primeiras Escolas Veterinárias que com o decorrer do tempo passaram a Escolas Superiores de Veterinária. A primeira surgiu em 1761 na cidade de Lyon (França); a Segunda em 1766 na cidade de Alfort e no ano seguinte foi fundada a escola de Viena. Em 1769, Turin, 1773 Koppenhagen, 1778 Hannover e em 1780 em Desdren. No Brasil foi fundada no início do Século XX a Escola de Veterinária do Exército no Rio de Janeiro.
A primeira bibliografia que se tem notícia é de autoria de Ellen Berger (1890) “Manual de Fisiologia Comparativa dos Mamíferos Domésticos”.
A importância do cavalo como animal de tração e montaria colocou este animal em 1º plano na atividade veterinária até início do Século XX.

3. A CÉLULA, SUA COMPOSIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

Os seres vivos caracterizam-se pelo seu elevado grau de organização. O desenvolvimento de um Sistema Nervoso (SN) e de um Sistema Locomotor adequados é de extrema importância para adaptação dos animais superiores ao meio ambiente.
Os neurônios e óvulos constituem-se nas maiores células do organismo e as células de Schwann e eritrócitos (glóbulos vermelhos ou hemácias) são as menores.
As células, para fins de estudo foram classificadas pelo grau de longevidade e pelo grau de individualidade.
Quanto ao grau de longevidade, foram classificadas como lábeis, estáveis e permanentes.
Quanto ao seu grau de individualidade foram classificadas em livres, federadas, anastomosadas, plasmódio e sincício.
As células dos organismos multicelulares necessitam se comunicar umas com as outras, para organizar o crescimento dos tecidos, a proliferação mitótica e coordenar suas funções. Elas se comunicam de três maneiras: 1) secretam moléculas que atuam sobre células distantes; 2) apresentam moléculas sinalizadoras na membrana plasmática que influenciam outras células por contato direto; 3) apresentam junções comunicantes que possibilitam a troca de moléculas informacionais entre células contíguas. Essas moléculas extracelulares sinalizadoras possibilitam a comunicação endócrina, parácrina, exócrina, autócrina e sináptica.
As moléculas sinalizadoras também são classificadas de acordo com sua solubilidade em água: Hidrofóbica – são as insolúveis e Hidrofílica - são as solúveis.
As hidrofóbicas penetram na célula e ativam as proteínas citoplasmáticas. As hidrofílicas reagem com as proteínas da membrana e estas ativam as proteínas plasmáticas.

As trocas que as células fazem com o meio são de três tipos, a saber:
- Difusão passiva, em que não ocorre consumo de energia;
- Transporte Ativo, em que se consome energia para realizá-lo;
- Transporte facilitado, em que também não ocorre consumo de energia, pois o transporte é realizado por proteínas carreadoras da membrana.

Quando substâncias penetram nas células, o processo é denominado de endocitose. Quando uma substância penetra com certa quantidade de líquido, o fenômeno chama-se pinocitose. Quando a ingesta for de partículas (células mortas, bactérias, etc.) o fenômeno é fagocitose. Quando, no entanto ocorre a extrusão de material celular (exemplo secreção glandular), damos ao processo a denominação de exocitose.

3.1. MORFOLOGIA CELULAR

As diferentes substâncias que compõem as células são coletivamente chamadas de protoplasma, cuja composição principal é: água, íons, proteínas, carboidratos e lipídios.
Sob o ponto de vista morfológico as células apresentam as seguintes partes: membrana celular, citoplasma, mitocôndrias, lisossomos, retículo endoplasmático, ribossomos, aparelho de golgi, microtúbulos, microfilamentos, peroxissomos, centríolo, núcleo e inclusões citoplasmáticas.

3.1.1. Membrana celular

Também chamada de plasmalema, trata-se de uma estrutura elástica muito delgada (7,5 a 10 nm) de constituição lipoprotéica, apresenta poros por onde podem fluir água e substâncias hidrossolúveis. É um verdadeiro envelope que circunda toda célula, separando o líquido intra do extracelular que banha as células e apresenta como funções:

1) Regular a absorção e secreção de moléculas e íons para a superfície celular e para a membrana das subunidades celulares; 2) Regula a secreção de produtos específicos (hormônios, enzimas) nas camadas limítrofes das células; 3) Absorção de hormônios; 4) Ação sobre o metabolismo celular; 5) Digestão graças à fagocitose e pinocitose.

3.1.2. Citoplasma

Modernamente denominado hialoplasma, é a substância que preenche o espaço limitado pela membrana celular e cerca o núcleo. Trata-se de uma solução de nutrientes, de íons e de uma infinidade de substâncias necessárias à vida celular. Nele é que se encontram as organelas vistas a seguir:

3.1.2.1 Retículo Endoplasmático

Sistema fechado de tubos e cisternas presentes na maioria das células, que transportam substâncias por toda célula. Apresenta enzimas para síntese de diferentes substâncias. São classificados em 2 tipos: granular e agranular.

O granular é assim denominado por apresentar unido à sua membrana grânulos de ribossomos. É grande produtor de proteínas e alguns carboidratos.
O agranular não apresenta grânulos de ribossomos aderidos à sua membrana; é responsável pela síntese de carboidratos, substâncias gordurosas e é fundamental no processo de desintoxicação celular.

3.1.2.2. Ribossomos

Constituem o suporte da síntese protéica, pois é neles que são sintetizadas as moléculas de proteínas da célula, são eles que ao se aderirem ao retículo endoplasmático, dá-lhe o nome de granuloso.

3.1.2.3. Mitocôndrias

Estão presentes em todo e qualquer tipo de célula animal e seu número varia conforme a intensidade metabólica do órgão considerado. Elas extraem a energia dos alimentos, conforme são metabolizados com oxigênio, e, em seguida torna essa energia disponível sob a forma de um composto de alta energia, o Trifosfato de Adenosina (ATP), que energiza as mais diversas reações químicas celulares.

A respiração celular é responsabilidade das mitocôndrias.

3.1.2.4. Aparelho de Golgi

Sistema de vesículas que capta as secreções de seu local de síntese, onde sofrem nova etapa de processamento e em seguida são liberadas para o citoplasma, podendo também ser extrusadas para o exterior da célula. Ex.: saliva.

3.1.2.5. Lisossomos

São inúmeras vesículas pequenas que flutuam no citoplasma, contendo enzimas digestivas. Essas enzimas digerem partes mortas da própria célula, substâncias anormais das células e bactérias que porventura penetrem na célula. Os glóbulos brancos são ricos dessas organelas.

3.1.2.6. Microtúbulos

São estruturas de forma tubular, com 24 nm de diâmetro, formados pela proteína tubulina. Desempenham o importante papel de conduzir líquidos intracelularmente e ainda manter a forma das células. São ainda responsáveis pelos movimentos intracelulares das organelas celulares e ainda são as bases constitutivas dos flagelos, cílios e centríolo.

3.1.2.7. Microfilamentos

Participam da movimentação celular e são constituídos pela proteína actina presente nas células ou fibras musculares. A atividade contrátil do músculo esquelético, por exemplo, resulta da interação dos filamentos de actina com miosina.

3.1.2.8. Peroxissomas

Contém enzimas que degradam ácidos graxos, aminoácidos e outros substratos. Dentre os produtos dessas degradações aparece o peróxido de hidrogênio (H2O2), substância esta que é lesiva à célula e para neutralizar os efeitos deletérios deste peróxido, os peroxissomas contêm catalase que o degrada. Os peroxissomas também participam do metabolismo dos lipídios.
3.1.2.9. Centríolo
Cada célula apresenta dois centríolos que são formados por microtúbulos. Antes da divisão celular eles se reduplicam para forma o aparelho mitótico responsável pela orientação celular no processo divisionário.

3.1.2.10. Inclusões Citoplasmáticas

Usualmente o citoplasma contém depósitos transitórios os quais se constituem de reservas de nutrientes ou mesmo moléculas de qualquer natureza. Os nutrientes são acumulados de várias maneiras, como grânulos de glicogênio, gotículas de lipídios e grânulos protéicos. Frequentemente também encontramos no citoplasma depósitos de pigmentos, sendo estes produzidos pelas próprias células ou serem provenientes do exterior.
Os pigmentos produzidos na célula são chamados de endógenos e os externos de exógenos. Como exemplo de endógenos temos a melanina e lipofuscina. Como exógeno podemos exemplificar os carotenóides, mas ainda pode apresentar pó de carvão, de sílica, etc.

3.1.3. Núcleo

É o verdadeiro centro de controle celular, controlando tanto as reações químicas como as reprodutivas da própria célula. Se constitui dos seguintes componentes: envoltório nuclear, cromatina, nucléolo e matriz ou nucleoplasma. Para o nosso estudo só interessa a cromatina, visto que o assunto célula é significativamente debatido nas disciplinas Citologia e Histologia. A cromatina corresponde aos cromossomos. Constituindo-se no maior depósito de DNA celular, contendo a quase totalidade da informação genética. As células apresentam seus cromossomos distribuídos aos pares sendo que um dos pares constitui a cromatina sexual. Sendo este par constituído por um cromossoma do tipo X e outro do tipo Y. As fêmeas só possuem cromossomos do tipo X e os machos um de cada tipo (XY). Portanto a determinação do sexo do embrião será feita sempre pelo pai.

3.1.4. Outros constituintes celulares

Água: principal meio líquido da célula, perfazendo 70-85%. Muitas substâncias estão dissolvidas na água, enquanto outras não se dissolvendo, permanecem suspensas em forma de partículas.

Íons: Os mais importantes são potássio (K), Magnésio (Mg), Fósforo (P), sulfatos e bicarbonatos.

Proteínas: é a substância mais abundante depois da água, com um percentual de 10-20% da massa celular.

Lipídios: formam 2% da massa celular e os mais importantes são os fosfolipídios e colesterol, tendo ainda as gorduras neutras (triglicérides).

Carboidratos: desempenham papel fundamental na nutrição celular, estando a maior parte sob a forma de glicose e o restante armazenado como glicogênio. A glicose é para ser utilizada de imediato, e, na sua premência o glicogênio pode sofrer glicólise para posterior mobilização, fins suprir as necessidades energéticas.

4. RENOVAÇÃO E REGENERAÇÃO CELULAR

Mesmo após o animal atingir seu crescimento, em vários tecidos do organismo continua uma grande neoformação celular; é o caso da pele, trato gastrintestinal (TGI), trato respiratório, trato urogenital e túbulos seminíferos.

5. PROPRIEDADES GERAIS DO SERES VIVOS

O organismo animal apresenta um alto grau de organização molecular e celular e graças a isto o organismo apresenta: (1) uma grande capacidade de armazenar informações, (2) grande capacidade de controle e regulação, (3) grande capacidade metabólica, (4) capacidade de adaptação, (5) capacidade de crescimento, (6) capacidade de reprodução e (7) capacidade de diferenciação.

6. CONDIÇÕES GERAIS DE VIDA

Os processos vitais dos seres vivos dependem essencialmente de 2 fatores: endógenos e exógenos. Os fatores endógenos são condicionados geneticamente, enquanto os exógenos são influenciados ambientalmente e dentre essas influências ambientais temos:

6.1. Luz

Importante fator para a captação de informações. Quando há mais luminosidade há mais atividade e consequentemente maior consumo de nutrientes. Aumentando a luz aumenta a secreção de hormônios e a ingesta alimentar aumenta. Uma prova disto é que as galinhas não põem ovos em período de escuridão. Sob a ação de raios luminosos forma-se na pele a Vitamina D.

6.2. Alimentação

É de fundamental importância para a manifestação da capacidade de produção e o alimento deve conter os componentes essenciais necessários à mantença, como vitaminas, sais minerais, proteínas, carboidratos e proteínas.

6.3. Água

Em termos de importância na privação, só perde para o oxigênio. Carência de água mesmo por curto espaço de tempo diminui a ingesta alimentar e, por conseguinte diminui a produtividade. A água potável não deve conter mais de 1,5% de sal, pois a concentração de sal maior determina mais sede.

6.4. Oxigênio

É essencial à vida. Sem ele não ocorre a ação mitocondrial e a célula morre; na maioria das espécies sua falta por 3 segundos determina falta de equilíbrio e por 5 segundos determina inconsciência. Uma perda por tempo superior a isto determina lesão nervosa. Nas grandes altitudes onde o ar é rarefeito – pouco O2 – os animais jovens apresentam velocidade de crescimento reduzida se eles não estiverem adaptados.

6.5. Temperatura

Para que os animais apresentem alta produtividade existe uma faixa ideal de temperatura ambiente. Fugindo esta faixa o animal apresenta dentre outras, as seguintes reações de adaptação:
a) Diminui a atividade cardíaca;
b) Diminui a atividade respiratória;
c) Aumenta a produção de suor;
d) Diminui a atividade da glândula tireóide e em razão disto cai a taxa metabólica geral;
e) Eleva-se a secreção de adrenalina e glicocorticóides;
f) Diminui a ingesta de alimentos caindo, por conseguinte a produtividade;
g) Diminui a atividade corporal.

Uma queda na temperatura corpórea a níveis de 25ºC leva o animal ao êxito letal (morte).

7. ENVELHECIMENTO E MORTE

As diferentes espécies animais atingem sob condições naturais e favoráveis, diferentes idades. A idade se manifesta com a queda de rendimento nos diferentes órgãos, especialmente cérebro, coração, circulação e órgãos locomotores.
A maior capacidade de aprendizado é adquirida na juventude e o auge da capacidade corpórea é atingido na maturidade sexual. O envelhecimento sofre influências da alimentação e solicitação corpórea. A morte por velhice ocorre por falência dos órgãos vitais, frequentemente coração e cérebro.


Duração da vida sob condições naturais

Espécie Anos Espécie Anos

Camundongo 2-3 Cobaia 4-5
Pato 50-55 Pombo 50-55
Ganso 70-80 Papagaio 70-80
Galinha 20-25 Coelho 5-7
Gato 9-10 Cão 10-15
Ovelha 10-18 Cabra 12-18
Suíno 14-18 Eqüino 40-50
Bovino 25-35 Elefante 70-100
Avestruz 60-70

Kolb, 1984

Existe uma estreita relação entre o tamanho do animal e sua taxa metabólica e duração de vida. Pequenos animais apresentam como regra, uma menor expectativa de vida que os grandes animais.
Uma ingesta alimentar acima das necessidades leva a um aumento do tecido adiposo e neste caso também aumenta a síntese de colesterol, o qual é depositado em grande parte na camada íntima das artérias; isto encurta a vida, principalmente em pequenos animais de estimação.

Podemos afirmar que uma ingesta alimentar limitada ao necessário e com oferta subótima de energia, prolonga a vida.
Uma oferta excessiva de alimento rico em carboidrato leva os carnívoros a apresentar diabetes senil.

8. SISTEMA NERVOSO

Sistema que coordena as funções dos diferentes órgãos animais e a adaptação destes ao meio ambiente, ou podemos dizer que o Sistema Nervoso (SN) serve para relacionar um órgão com outro e todo organismo com o meio ambiente.

O Sistema Nervoso (SN) é formado por três subsistemas principais:
a) Um eixo sensorial que transmite sinais das terminações nervosas sensoriais periféricas para quase todas as partes da Medula Espinhal, Tronco Cerebral, Cerebelo e Córtex.
b) Um eixo motor que conduz sinais neurais das áreas centrais do SN para músculos e glândulas.
c) Um sistema integrador que analisa as informações utilizando-as e armazenando-as na memória.

Resumindo, é o SN que sente, que pensa e que controla o nosso organismo. Ele recebe todas as informações vindas de qualquer parte do corpo e as transmite através dos nervos para a Medula Espinhal e Encéfalo que constituem o Sistema Nervoso Central (SNC). Essas informações podem requerer resposta imediata ou não, sendo neste caso armazenadas na memória para utilização posterior.

O Sistema nervoso é formado por dois tipos básicos de célula: neurônios e células gliais.
Os neurônios são as células mais estudadas dentre todas as células, por várias razões: primeira, porque transmite as informações eletricamente o que possibilita monitorá-las; segunda, as propriedades individuais dos neurônios são semelhantes em todas as espécies, desde a minhoca até o cavalo; terceira, porque processam informações de modo altamente sofisticado utilizando um número muito pequeno de processos físicos e químicos, possibilitando formular princípios gerais sobre sua função.
Os neurônios param de se dividir logo após o nascimento, mas seus prolongamentos continuam a crescer por certo período.
O neurônio se divide em corpo celular ou soma e prolongamentos, sendo estes o axônio e os dendritos.
O soma é responsável pela manutenção metabólica e processamento das informações (estímulos) recebidas.
Os dendritos são sensitivos, isto é, recebem as informações que serão enviadas para o soma.
O axônio (também chamado fibra nervosa) apresenta em sua terminação ramificações que envia sinais (informações) para os órgãos (glândulas, músculos, etc) e outros neurônios.

O neurônio que recebe informações é chamado de fibra aferente e os neurônios que se ligam a outros neurônios para transmissão de informações são chamados de interneurônios.

O neurônio que transporta informações para órgãos efetores como glândulas, músculos etc., são chamados de fibras eferentes.
Ao conjunto de neurônios aferentes, eferentes (mais interneurônios) chamamos circuito neuronal.
A quantidade de neurônios no SN é muito variável. Ex: baleia apresenta cerca de 200 bilhões, enquanto o homem, 85 bilhões e cada um chega a apresentar 1000 contatos sinápticos.

O SN desempenha três funções de suma importância: sensorial, integrativa e motora e suas reações se baseiam nas fundamentadas geneticamente e nas adquiridas durante a vida.

Para seu desenvolvimento necessário se faz uma boa alimentação no último terço da gravidez e também do recém-nascido com complexo vitamínico, proteínas e carboidratos.

Também o SN é muito exigente quanto à oxigenação. 50% do oxigênio que chega à cabeça é utilizada pelo cérebro e sua nutrição dar-se através das artérias carótidas e espinhal. O cérebro mesmo pesando 0,1 a 0,8% do peso corporal, consome 8% do oxigênio total do corpo e cresce bem mais rápido que o corpo, isto se bem nutrido. A deficiência nutritiva na fase de crescimento pode levar a danos permanentes e o aprendizado ajuda no crescimento tanto neuronal como glial.

Em grau limitado o cérebro pode reorganizar-se para compensar uma lesão.

O SN se divide em Sistema Nervoso Central (SNC), formado pelo Encéfalo (que é envolvido pelo crânio) e Medula Espinhal (que é circundada pelas vértebras cervicais, torácicas, lombares e ligamentos) e Sistema Nervoso Periférico (SNP), formado por uma extensa ramificação de nervos com fibras aferentes e eferentes. Alguns nervos periféricos têm origem no próprio encéfalo formando os 12 pares de nervos craniais. O restante dos nervos periféricos são os nervos espinhais.

O termo nervo significa um grupo de fibras (axônios) de muitos neurônios estreitamente envelopados no tecido conjuntivo denso que conecta o cérebro com periferia.

Os corpos celulares que se agrupam no cérebro e Medula Espinhal (ME) recebem a denominação de núcleos. Quando esta formação ocorre fora do SNC (fora do cérebro e ME) recebe bainha de tecido conjuntivo e são chamados de gânglios.

Todo SNC está envolvido por três meninges protetoras que são: pia máter, aracnóide e dura mater.

A pia mater está unida diretamente ao encéfalo e à medula espinhal.

A aracnóide recebe esse nome porque suas células se dispõem em forma de teia de aranha e tem como função reter líquido (liquor) entre a pia mater e ela própria.

O liquor é um líquido claro, incolor, encontrado dentro do espaço subaracnóideo, no canal central de ME e nos ventrículos cerebrais. Esse liquor tem origem nos ventrículos cerebrais, daí fluindo para o espaço subaracnóideo e daí para o sistema venoso. Este processo é dinâmico, sendo reposto várias vezes ao dia. Serve como amortecedor do SNC nos choques ou movimentos bruscos.

A dura mater funde-se com superfície interna do osso.


Nervos Craniais
....................................................................
Número Nome Função

I Olfatório Sensitiva
II Óptico Sentitiva
III Oculomotor Motora
IV Troclear Motora
V Trigêmio Mista
VI Abducente Motora
VII Facial Mista
VIII Acústico Sensitiva
IX Glossofaríngeo Mista
X Vago Mista
XI Espínhal Acessório Motora
XII Hipoglosso Motora

(Ontem O Observador Trouxe Três Armas: Facão, Adaga, Garruncha, Vencendo Embate Hípico)
O SNC apresenta um sistema de cavidades interconectadas chamadas de ventrículos (que contêm líquido cérebro-espinhal) e se constitui de seis regiões principais, a saber: Medula Espinhal, Bulbo, Ponte, Mesencéfalo, Diencéfalo (com tálamo e hipotálamo) e Hemisférios Cerebrais.

8.1 Medula Espinhal

Muitas informações neurais mais simples são integradas em nível de Medula Espinhal, como no caso de retirada da mão à ação do calor e a marcha sob condições adequadas.

A Medula Espinhal (ME) exerce duas funções: (a) Serve como condutor para muitas vias nervosas que vão ou que vêm do cérebro e (b) serve como área integradora para coordenação de muitas atividades neurais subconscientes, caso dos atos reflexos. (reflexo das cruzes, reflexo anal, caso, por exemplo, da retirada rápida da mão à ação do calor).

A ME constitui-se de corno dorsal e ventral. O corno dorsal é a parte sensitiva da medula e se divide em cabeça, colo e base.

Cabeça: recebe as sensações advindas do meio ambiente, sendo responsável pelos reflexos das cruzes, anal, de coçar, etc.
Colo: recebe os estímulos dos músculos, tendões e articulações.
Base: recebe os estímulos vindos das vísceras.

O corno ventral é a parte motora da medula, portanto é responsável pelo envio de respostas motoras e se divide em cabeça e base.
Cabeça: é responsável pelos centros sômato-motores medulares.
Base: é responsável pelos centros visceromotores também medulares.

Os estímulos do meio ambiente chegam na cabeça do corno dorsal da medula e então é emitido um estímulo à cabeça do corno ventral.

Os estímulos que chegam à medula também podem ser enviados ao encéfalo através de dois sistemas os quais são constituídos por feixes de fibras nervosas. São eles: Sistema Colunar Dorsal (SCD) e Sistema Espinotalâmico (SET).

O SCD transmite os sinais fásicos, isto é, sinais que variam muito rapidamente, como as sensações vibratórias, as que sinalizam movimentos rápidos contra a pele, variação da posição dos membros, etc.

O SET transmite os sinais estáticos, isto é, sinais estáveis que permanecem inalterados por períodos prolongados como os que são usados para localização contínua de estímulos aplicados à pele, sinais que dão informação em longo prazo sobre as gradações da intensidade do sinal e sinais com origem nas estruturas articulares do corpo permitindo se avaliar as posições estáticas das diferentes partes do corpo.

O SCD conduz as sensações até o bulbo e aí as fibras deste sistema se cruzam e desse cruzamento resultam as vias bilaterais (Lemniscos Mediais) que vão ao tálamo e daí ao córtex cerebral.
As sensações recebidas do meio ambiente e que chegam na cabeça do corno dorsal da medula, são transmitidas pelo SET até ao tálamo e daí ao córtex cerebral. Este sistema conduz as sensações mais grosseiras, como cócegas, calor, frio, prurido, etc, sensações estas que além de serem classificadas como esteroceptivas, são denominadas protopáticas.

Na falência de ambos os sistemas (SCD e SET) a sensação dolorosa fica prejudicada. O animal sente a dor, mas não sabe de onde provém e perde também a noção de espaço.

8.1. Encéfalo e suas divisões

O encéfalo é a principal área integradora do Sistema Nervoso (SN) - é o local onde são armazenadas as memórias, onde são geradas as emoções e outras funções. Localiza-se na caixa craniana e sua forma e tamanho se adapta em grande parte à cavidade na qual se aloja. Divide-se em 3 partes: Cérebro Anterior, Médio e Posterior.
O cérebro anterior, também chamado de prosencéfalo, se constitui de Diencéfalo e Telencéfalo.
O Diencéfalo, por sua vez, está constituído do Metatálamo, Tálamo Ótico, Hipotálamo e Epitálamo.
O Telencéfalo constitui-se do Bulbo Olfatório, Corpos Estriados, Hipófise e Hemisférios Cerebrais.
O Cérebro Médio, também chamado de Mesencéfalo, se constitui dos Pedúnculos Cerebrais e Corpos Quadrigêmios.
O Cérebro Posterior ou Romboencéfalo se divide em Mielencéfalo e Metencéfalo.
No Mielencéfalo estão contidos os Pedúnculos Cerebelosos Inferiores e a Medula Oblonga.
No Metencéfalo temos a Ponte e os Pedúnculos Cerebelosos Médios e Superiores.

8.3. Sistema Sensorial

O Sistema Sensorial Somático transmite informações sensoriais de toda superfície e das estruturas profundas do corpo para o SN por meio de nervos espinhais e cranianos.
Os órgãos sensoriais fornecem os únicos canais de comunicação do meio ambiente para o Sistema Nervoso.
Tudo que o animal realiza depende da recepção e da interpretação correta da informação.
A recepção sensorial inicia nos órgãos que contêm as células receptoras. Estes órgãos situam-se tanto na superfície como no interior do corpo.
Os neurônios que conduzem as informações da periferia para o SNC são chamados de aferentes e os que conduzem as informações a partir do SNC são os eferentes.

As sensações somáticas são aquelas que vêm do corpo (soma) e são de três tipos:
a) Mecanorreceptivas: detectam deslocamento mecânico de algum tecido epitelial;
b) Termorreceptivas: detectam alterações da temperatura;
c) Nociceptivas: detectam sensações ou estímulos nocivos como a dor.

Os receptores classificam-se de acordo com a origem dos estímulos aos quais eles respondem e são:

- Esteroceptivos: são os estímulos que vêm do meio ambiente, como calor, luz, vento, som, sensações da pele, algumas sensações químicas...
- Interoceptivos: estímulos oriundos do interior do corpo que podem ser proprioceptivos e visceroceptivos.

Proprioceptivos: são as sensações que vêm dos músculos, tendões e articulações.
Visceroceptivos: são as sensações que vêm das vísceras.

As sensações grosseiras como cócegas, prurido, etc, são denominadas de protopáticas.
As sensações são percebidas graças a ação dos receptores nervosos que se espalham pelo corpo que de acordo com sua estrutura e funções recebem as seguintes denominações:

a) Mecanorreceptores - são as terminações nervosas táteis da pele, profundas do tato, do som e do equilíbrio;
b) Termorreceptores – são corpúsculos terminais como os dos folículos pilosos que detectam o frio/calor;
c) Quimiorreceptores – são os que captam as sensações do olfato, do paladar, do oxigênio do sangue, do gás carbônico sanguíneo, dos hormônios, etc.
d) Nociceptores – sentem as sensações dolorosas.
e) Fotorreceptores da retina (60% das informações que chegam ao cérebro provêm da retina).
f) Receptores olfatórios, auditivos e gustativos;
g) Receptores do aparelho vestibular.


8.3.1. Sistema Motor

Em última análise a mais importante função do SN é controlar as atividades do corpo e essa função compreende o controle da contração muscular esquelética e lisa e secreção das glândulas endócrinas e exócrinas.

8.3.2. Sistema Integrador

Este sistema processa a informação para determinar a ação motora correta e apropriada. Essa resposta motora varia conforme o tipo de informação recebida, se calmante, agradável, desagradável, dolorosas, intensas, fracas, etc.
O encéfalo responde as sensações que recebe da Medula Espinhal através do Sistema Colunar Dorsal (SCD) e Sistema Espinotalâmico (SET) que enviam os estímulos pelos feixes nervosos eferentes chamados Feixes Piramidais e Extrapiramidais, ambos chegando na cabeça do corno ventral da medula.
Todos os axônios formadores dos Feixes Piramidais (Sistema Piramidal) derivam-se da 5ª camada (existem seis) do Córtex Cerebral, portanto, conduzem os estímulos do Córtex para a Medula, determinando movimentos voluntários. Este sistema apresenta vários tratos (feixes):
a) O “corticoespinhal que em seu trajeto passa pelo diencéfalo, mesencéfalo e ponte e quando atinge o bulbo 90% das fibras cruzam para o lado oposto e vão terminar nos neurônios motores da Medula Espinhal;
b) O corticobulbar que segue a mesma rota do anterior, porém termina no Tronco Cerebral (TC), que controla os músculos da cabeça;
c) O corticopontino-cerebelar, que desce pelo TC, vai até a ponte a daí ao cerebelo que ao receber as informações, faz as correções que se fizerem necessárias.

Este é um sistema muito importante nos movimentos voluntários precisos e aprendidos, sendo muito desenvolvido nos humanos.

Os Feixes Extrapiramidais iniciam na porção central do TC e conduzem os estímulos para a Medula, determinando movimentos reflexos (involuntários). São importantes no estado de alerta e tônus muscular postural

O Sistema Extrapiramidal também apresenta vários tratos de grande importância:

Trato Reticuloespinhal, também conhecido por formação reticular, que inicia na porção ventral do bulbo, ponte e mesencéfalo (TC), sendo de suma importância no estado de alerta e contração muscular para movimentos apropriados.

Trato Vestibuloespinhal que inicia no bulbo e percorre a ME; responsável pelos movimentos da cabeça e correção do tônus muscular postural.

O Trato Rubroespinhal conduz os impulsos natatórios, de correr, ficar de pé e saltar.

O Trato Tectoespinhal que inicia no mesencéfalo e termina na ME Cervical. Coordena os movimentos reflexos da cabeça, olhos quando se observa objetos em movimento.

Além desses tratos ainda temos o Olivo, Cerebelo e Talamoespinhal dos quais pouco se sabe.
Todos os tratos chegam nas células motoras do corno ventral da medula.

8.3.3. Tronco Cerebral

Sob a denominação de Tronco Cerebral são incluídos o Bulbo Ponte e Mesencéfalo, Diencéfalo, Medula Oblonga e Gânglios Basais. É no Tronco cerebral que se encontram os pares de nervos cranianos, exceto os 2 primeiros pares (Olfatório e Ótico). Nele se localizam vários centros de funções vitais como os centros da respiração, da atividade cardíaca, da regulação circulatória, etc.
É na Medula Oblonga onde se encontram centros importantes como o Respiratório, Vasomotor, da Vigília, do Vômito, Tosse, Espirro, Sucção, Deglutição, Mastigação e ainda é responsável pelo estímulo ou inibição do tônus muscular.

O Diencéfalo é responsável pelos sentimentos da dor, comoção e raiva.

Mesencéfalo é controlador da bexiga urinária.

O Tálamo é o órgão responsável pela transferência das vias sensitivas, exceto das olfatórias.
‘O Epitálamo é onde se localiza a glândula Epífise que será comentada mais adiante.

Metatálamo: é responsável pela transferência da maioria das vias auditivas.

Hipotálamo: é a parte encefálica mais importante para o controle das “funções vegetativas” do corpo, expressão que compreende o conjunto de funções orgânicas internas subconscientes, incluindo a maioria das funções do Sistema Nervoso Autônomo.
A maior parte dos padrões comportamentais do animal é produzida pela excitação do hipotálamo e das estruturas que o cercam, chamadas em seu conjunto de Sistema Límbico. Este sistema seleciona as informações a serem transmitidas ao Córtex Cerebral.
O Hipotálamo divide-se em 4 partes, a saber: Hipotálamo Anterior, Posterior, Lateral e Médio.
A porção posterior hipotalâmica está relacionada diretamente com as funções simpáticas, por exemplo, nas ações de luta e fuga.
A porção anterior relaciona-se com as funções parassimpáticas, como por exemplo, digestão, eliminação.

Como funções gerais do Hipotálamo, temos:

a) Regulação cardiovascular. O Hipotálamo Posterior é responsável pela elevação da freqüência cardíaca e pressão arterial. O Hipotálamo Anterior (área pré-ótica) realiza o trabalho inverso. Essa regulação é feita em conjunto com o Centro Cardiovascular localizado no Tronco Cerebral.

b) Regulação da temperatura corporal. O hipotálamo anterior diminuindo e o posterior elevando. Esse mecanismo controla basicamente (1) a intensidade do fluxo sanguíneo na pele, o que regula a perda de calor; (2) a sudorese, o que resfria o corpo; (3) controla os calafrios, o que aumenta em muito a produção de calor; (4) a secreção de norepinefrina e epinefrina pelas glândulas supra-renais; e (5) controla a secreção dos hormônios tireoideanos, com efeitos diretos sobre a produção de calor por todas as células do corpo.

c) Regulação da água corporal. O hipotálamo lateral controla a ingesta de água pela estimulação do centro da sede nele localizado e também controla a secreção de hormônio antidiurético que por sua vez controla a água perdida pelos rins.

d) Regulação da ingesta de alimento. Localiza-se no hipotálamo lateral o centro da fome, que faz o animal ter um desejo intenso de se alimentar e um apetite voraz. Existe também nesta área o centro da saciedade, o qual informa a condição de plena satisfação em relação a ingesta.

e) Controle da excitação e da raiva. O hipotálamo médio apresenta um núcleo (perifornical) que quando estimulado faz com que o animal fique muito excitado e apresente pressão arterial muito elevada, pupilas dilatadas e sintomas de estar enraivecido como, por exemplo, tomada de posição para o ataque.

f) Controle da função endócrina. Algumas áreas hipotalâmicas secretam as substâncias neurossecretoras, também chamadas Fatores Liberadores (RF). Como exemplo de neurossecretores temos serotonina, acetilcolina, norepinefrina, dopamina, histamina. Alguns RFs são transportados por veias especiais, do hipotálamo para a hipófise, onde vão promover a formação de vários hormônios por essa glândula.

8.3.4. Gânglios Basais

São formados por grandes massas de corpos celulares de neurônios, localizados na substância branca que fica abaixo do córtex cerebral, tendo como função controlar a maioria dos movimentos subconscientes lentos e simétricos. Os gânglios mais importantes são: núcleo caudado, núcleo subtalâmico, putame e globo pálido.
Pouco se sabe sobre os gânglios basais, a não ser que funcionam em conjunto na execução de movimentos subconscientes.

Núcleo Caudado: comanda os movimentos intencionais grosseiros do corpo e realiza o controle global dos movimentos corporais.
Putame: juntamente com o núcleo caudado controla os movimentos complexos que exigem habilidade.
Globo Pálido: Controla o posicionamento de grande parte do corpo. Se o animal deseja realizar um movimento preciso com um membro, o globo pálido posiciona seu corpo de modo apropriado.

Nos humanos a Doença de Parkinson é causada por lesão dos Gânglios Basais.

8.3.5. Cerebelo

Localiza-se na porção posterior do Tronco Cerebral, atrás da Protuberância Bulbar e abaixo dos Hemisférios Cerebrais. Liga-se a outras estruturas encefálicas através dos Pedúnculos Cerebelosos. O Pedúnculo Inferior liga o Cerebelo ao Bulbo, o superior aos Pedúnculos Cerebrais e aos Tubérculos Quadrigêmios e o médio liga o Cerebelo à Ponte.
O Cerebelo funciona como um centro coletor de todas as informações possíveis sobre o estado físico instantâneo do corpo, monitorando vários estados de inércia e funcionamento dos músculos através do mecanismo de feedback. Ele recebe impulsos dos receptores das articulações e músculos que sinalizam o estado físico da musculatura e das articulações.

Os sinais eferentes cerebelares vão ao TC e ao Córtex Motor.

Em termos de massa perde apenas para o córtex cerebral. Apresenta três porções bem distintas: Paliocerebelo, Neocerebelo e Nódulo Flóculo Nodular.

Páliocerebelo: é responsável pela sensibilidade inconsciente dos membros e troncos.
Neocerebelo: recebe estímulos do Córtex Motor (Córtex Cerebral) sendo responsável pelos movimentos voluntários.
Nódulo Flóculo Nodular: recebe informações oriundas do Aparelho Vestibular sobre o equilíbrio.
Em resumo podemos dizer que cabe ao cerebelo (1) a regulação e correção da postura corporal e dos movimentos, (2) a correção dos movimentos lentamente dirigidos visando um alto grau de precisão e (3) manutenção do movimento desencadeado voluntária e rapidamente executado com alvo determinado.

8.3.6. Sentido do equilíbrio

O cérebro para coordenar a postura e a locomoção necessita de informações a respeito não apenas do movimento que ele pretende dirigir, mas também que movimento está sendo executado pelo corpo. O Sistema Muscular é muito importante neste aspecto, porém existe outra fonte informativa importantíssima, que é o Sistema Vestibular, localizado no ouvido interno, que informa ao cérebro a posição e a movimentação da cabeça no espaço.
O ouvido interno também chamado de labirinto, compõe-se de duas partes: o Labirinto Ósseo e Labirinto Membranoso.
O Labirinto Ósseo trata-se de um sistema de túneis no interior da parte petrosa do osso temporal na caixa craniana, e constitui-se de Sistema Vestibular e Sistema Receptor da Audição, isto é, a Cóclea.
O Labirinto Membranoso localiza-se no interior do Labirinto Ósseo e é formado por finas membranas de epitélio que contém células receptoras sensoriais. Separa-se do Labirinto Ósseo por um fluido a quem chamamos de perilinfa. O seu interior é preenchido por outro tipo de fluido que chamamos de endolinfa.
O Sistema Vestibular (Aparelho Vestibular) consiste em três canais se semicirculares localizados mais ou menos em ângulo reto entre si e um par de estruturas otolíticas, saculiformes que são o sáculo e utrículo.
Os canais semicirculares cheios de endolinfa têm origem no utrículo e cada canal apresenta em sua terminação uma dilatação a quem chamamos de ampola.
A ampola apresenta células ciliadas imersas em uma massa gelatinosa – cúpula. Quando a cabeça começa a girar em uma direção a endolinfa se atrasa em relação à cúpula em razão da inércia e isto desloca a cúpula e os cílios se inclinam gerando um Potencial de Ação que será transmitido via nervosa ao cérebro para que este promova a resposta reflexa apropriada.
O Sáculo e Utrículo que são duas câmaras, também apresentam em sua região receptora celular ciliada, a quem denominamos de mácula. Seus cílios também se projetam para endolinfa e são mantidos juntos por uma massa gelatinosa, a quem damos o nome de mácula densa e esta contém cristais de carbonato de cálcio que são conhecidos por otólitos ou otocônias.
Os otólitos por serem mais densos que a endolinfa, por força da gravidade se projetam em direção ao centro gravitacional da terra. Isto determina a inclinação das células ciliadas gerando um potencial de ação que é transmitido ao cérebro informando a posição estacionária da cabeça. Esses estímulos criados também são informados aos músculos extra-oculares, ao nódulo-flóculo-nodular (cerebelo) e ao Trato Vestibuloespinhal (feixes extrapiramidal) que informará à ME.
Uma anormalidade neste sistema pode alterar frequentemente o potencial de ação livrando a movimentos dos olhos, mesmo quando a cabeça estiver parada. A este fenômeno damos o nome de NISTAGMO.
O Nistagmo pode ser temporário e neste caso é fisiológico. Ex: quando uma criança brinca de girar o corpo e para subitamente ocorre um nistagmo temporário.
Outra prova de ligação deste sistema com os olhos, é que quando giramos a cabeça lentamente os olhos giram ao contrário e logo a seguir o córtex corrige.

8.3.7. Córtex Cerebral

O cérebro cortado verticalmente numa fatia mostra uma camada cinzenta externa – o córtex cerebral – que se sobrepõe a uma grande porção branca. Afundados no meio da substância branca distribui-se grandes aglomerados de substância cinzenta – os gânglios basais.
A substância cinza é constituída por corpos celulares e células gliais, sendo importantes apenas as primeiras, pois a gliais têm função apenas de proteção e nutrição. No córtex cerebral distinguem-se numerosas áreas com funções diferentes, podendo-se distinguir área motora. Sensitiva, ótica, auditiva, olfatória e assim por diante.
A área motora comanda a voluntariedade, enquanto que as demais comandam as ações involuntárias automáticas. O córtex relaciona-se com todas as estruturas do SNC e com todos os órgãos do corpo e seu volume relaciona-se com o desenvolvimento da espécie.
Para fins de estudo o córtex divide-se em 4 lobos, a saber:
a) Lobo frontal: área motora;
b) Lobo occipital: área ótica;
c) Lobo temporal: área auditiva;
d) Lobo parietal: área somestérica (centro de todos estímulos sensoriais).

8.3.8. Sistema Nervoso Autônomo

Este sistema tem por função responder pelo controle visceral ou vegetativo do corpo do animal, mantendo o ambiente interno do corpo em limites bem definidos e este controle é chamado de homeostasia ou mais apropriadamente homeocinese.
Em resumo ele controla a maior parte das funções inconsciente, como a pressão arterial, a freqüência cardíaca, os movimentos gastrointestinais, as secreções glandulares, a abertura e fechamento pupilar, etc.
A parte mais importante do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) ou Sistema Nervoso Neurovegetativo (SNV) é o hipotálamo.
As fibras que conduzem os impulsos do hipotálamo para fora do SNC são chamadas de Simpáticas e Parassimpáticas. Muitas drogas quando são administradas ao organismo imitam a atividade dessas fibras e são denominadas de parassimpaticomiméticas e simpaticomiméticas.
As diferenças entre estas fibras são: (1) A distribuição anatômica que são bem distintas. O Sistema Simpático é toraco-lombar e o Parassimpático é crânio-sacral. (2) Os efeitos estimulantes são na maioria diferentes. Quando um órgão é inervado por ambas as fibras, uma excita e a outra inibe. (3) As substâncias transmissoras secretadas são diferentes. As fibras parassimpáticas secretam acetilcolina enquanto a simpáticas secretam norepinefrina.
O SNA inerva músculos lisos, músculo cardíaco e células glandulares levando a 2 tipos de reações: excitação e inibição.
O hipotálamo corresponde à parte do diencéfalo, situado ventralmente ao tálamo e que forma o assoalho do 3º ventrículo cerebral.

As fibras simpáticas chegam à cadeia simpática através dos segmentos torácicos e dos três segmentos lombares superiores da Medula Espinhal.
A inervação para a cabeça é das fibras torácicas que ascendem e a inervação do abdome inferior e das pernas, são das fibras lombares que descendem.
As fibras simpáticas e parassimpáticas são estimuladas por múltiplos centros cerebrais localizados principalmente no Tronco Cerebral e Hipotálamo.

Muitas funções – podemos afirmar que a maioria – são realizadas pelo organismo sem que conscientemente tomemos conhecimento. Essas funções inconscientes como pressão arterial, freqüência cardíaca, peristaltismo gastrointestinal, midríase, miose, secreção das glândulas digestivas, metabolismo, temperatura corporal são responsabilidade do SNA. Essa atividade se mantém mesmo no sono e até na anestesia profunda, porém essa responsabilidade não deve ser considerada total, pois também recebe influências do córtex cerebral e a prova disto é que as situações de medo, raiva, e alegria provocam reações vegetativas como sudorese, taquicardia, etc.


8.3.9. Funções do Sistema Neurovegetativo


Parassimpático Simpático
______________________ __________________
Órgãos Efeitos Efeitos
Coração Atividade diminuida Atividade aumentada

Vasos sanguíneos:
Pele e Mucosa Constrição
Músc. Esquelético Dilatação
Coronárias Dilatação
Pulmonar Dilatação

Pupila Constrição (miose) Abertura (midríase)

Bronquíolos Constrição Dilatação

Glândulas:
Salivar Secreção Inibe a secreção
Sudorípara Secreção
Lacrimal Secreção Inibição
Gástricas Secreção Inibição
Pâncreas Secreção
Fígado Glicogenólise

Músculo Liso:
Pilomotor Contração
GI Eleva tônus e motilidade Diminui tônus e motilidade
Esfincteres TGI Relaxamento Contração

Vesícula urinária: Contração Relaxamento
Esfíncter Relaxamento Contração

Vesícula Biliar: Contração Relaxamento
Esfíncter Oddy Relaxamento Contração

Glicemia Aumenta

Órgãos sexuais Ereção Ejaculação

No controle da vasoconstrição na pele, permite regular a perda de calor pelo corpo;

No controle da sudorese pelas glândulas sudoríparas, também permite regular a perda de calor.

8.4. Sono

É um estado periódico de alteração da intensidade das atividades vitais. Durante o sono estão em evidência processos que visam à recuperação e regeneração de muitos órgãos, principalmente os centrais. O SNC apresenta o centro do sono e o da vigília, os quais agem antagonicamente. Nos animais o sono pode ser considerado um instinto. A necessidade de dormir por maior ou menor período ou ritmicidade varia conforme a espécie animal.
A queda de atividade do SNC durante o sono, especialmente no córtex cerebral, no entanto não se faz acompanhar de igual redução na atividade de outros órgãos. O centro do sono é talâmico, enquanto o centro da vigília localiza-se na formação reticular do Tronco Cerebral. A importância do sono é que ele representa a recuperação de determinada parte do Sistema Nervoso.
Durante a noite os mamíferos dormem com um sono mais profundo ou menos profundo, havendo portanto, uma alternância.
Quando dormimos e mostramos movimentos oculares, chamamos essa fase de sono REM (Rapid Eye Moviments) que geralmente tem início no humano, 90 minutos após e é nesta fase que o animal sonha. Estes sonhos têm uma durabilidade que varia entre 5 e 25 minutos. No total, as fases REM somam-se em torno de 100 minutos.
Só não apresenta sono REM o golfinho e o tamanduá.

Existem teorias para o sono. A mais utilizada diz que quando ocorre fadiga neuronal, os núcleos localizados na linha média do Tronco cerebral liberam serotonina e esta é transformada em melatonina que inibe o Sistema Reticular Ativador, estimulando o sono. Durante o período em que dormimos cai a pressão arterial, a freqüência cardíaca e diminui também a atividade autonômica.

Para que o animal desperte sinais proprioceptivos ativam o Sistema Reticular Ativador e este por sua vez envia sinais para o Córtex Cerebral e Medula Espinhal. A medula por sua vez envia estímulos para atividade muscular e os músculos enviam sinais proprioceptivos para o sistema Ativador, mantendo assim o estado de vigília.

Durante o dia a epífise produz muita serotonina, porém não recebe estímulos neuronais causados pelos raios luminosos, porque estes inibem a enzima Serotonina-N-Acetiltransferase não havendo a redução da serotonina. Como à noite existe pobreza de raios luminosos, o fenômeno ocorre normalmente, ocasionando o sono. Acredita-se que o leite materno tenha melatonina o que proporciona o lactente dormir após mamar.

9. FISIOLOGIA GERAL DA MUSCULATURA

Uma grande proporção de massa corporal é formada pelos músculos esqueléticos que se organizam para prover uma ampla variedade de ações.
Além de prover a força para os movimentos somáticos o músculo esquelético controla a laringe, faringe, a vocalização, a deglutição, a eructação, a regurgitação, a apreensão e mastigação dos alimentos e muitas outras ações.
Considerando-se que a maioria dos pacientes em medicina veterinária com problemas patológicos no sistema neuromuscular apresenta anormalidades de movimentos, é importante entendermos como funcionam os músculos esqueléticos e como são controlados pelo Sistema Nervoso, inobstante também seja importante entendermos a fisiologia da musculatura cardíaca e lisa.
Todo movimento animal é resultado da contração muscular esquelética através de uma articulação móvel.
Os músculos geralmente têm origem e inserção óssea, ligando-se aos ossos graças aos ligamentos.
Quando se ativa por um neurônio motor, um músculo esquelético pode apenas encurtar-se.
Cada fibra muscular (miócito) é inervada por uma única terminação nervosa.

A musculatura dos animais domésticos é classificada em lisa e estriada, sendo que esta última apresenta 2 tipos de músculos: esquelético e cardíaco e ambos têm mecanismos contráteis similares.
O músculo liso encontrado na maioria dos órgãos internos possui histologicamente organização intracelular diferente, porém a base química da contração é a mesma.
Todas as funções físicas do corpo implicam na atividade muscular e nessas funções estão inclusas a contração do coração, dos vasos sanguíneos, o peristaltismo intestinal e inúmeras outras.
Por seu aspecto, a célula muscular recebe a denominação de fibra e como qualquer outra célula possui uma organização constitucional própria. A sua membrana celular (membrana citoplasmática) recebe o nome de sarcolema.
O sarcolema além de sua constituição lipoprotéica é também formado por uma camada de material polissacarídeo e por finas fibrilas colágenas que lhe conferem resistência.
As fibras com período curto de contração são chamadas de fibras de contração rápida. São aquelas adaptadas para o salto, corrida e movimentos breves e potentes. São mais grossas, apresentam menor suprimento sanguíneo, menos mitocôndrias, apresentam menos mioglobina e são mais brancas.
As fibras de contração lenta são mais finas e mais ricas em mioglobina e mitocôndrias. Em razão de sua riqueza em mioglobina. Os músculos constituídos por este tipo de fibra são mais vermelhos e mais macios.
Nas extremidades das fibras musculares, a camada superficial do sarcolema funde-se com fibras tendinosas que se juntam em feixes para formar os tendões musculares que se inserem nos ossos.
Cada fibra muscular é formada por miofibrilas cujo número varia de centenas a milhares. Cada miofibrila é formada por centenas ou milhares de filamentos de actina e miosina, filamentos esses responsáveis pela contração muscular.
Ao citoplasma da fibra muscular dá-se o nome de sarcoplasma e este é formado por constituintes celulares usuais. A partir do nascimento é determinado o número definitivo de fibras de um músculo 900.000 a 1.000.000, podendo ser vermelhas ou brancas. As vermelhas apresentam maior número de pigmentos de mioglobina.
Os músculos com maior proporção de fibras vermelhas dão origem a uma carne mais macia e tenra.
A musculatura dos animais de abastecimento constitui a carne e a natureza desta e seu rendimento dependem da hereditariedade e da alimentação dos animais.
A proporção de musculatura em relação ao peso corporal é diretamente proporcional à idade e gordura do animal. Depois de retirada a pele, vísceras, cabeça e patas, obtém o peso corporal de abate que corresponde em média a 75% em suínos, 55% em bovinos e 50% em ovinos.
A inervação das fibras musculares ocorre graças às placas nervosas que se originam dos neurônios localizados no corno ventral da medula espinhal. Os nervos ao penetrarem nos músculos ramificam-se em fibras nervosas cujas terminações vão formar a placa motora. Cada fibra muscular pode ter número variado de placa motora.
A irrigação sangüínea é regulada conforme o estado funcional do músculo e depende do SNA. No funcionamento muscular ocorre sobra metabólica, ditas residuais (ácido lático e adelínico) que determinam vasodilatação fins melhorar a irrigação.

9.1. Constituição do Músculo

Os mamíferos no geral apresentam sua musculatura esquelética com cerca de 75% de água, 18% proteína e 7% de carboidrato, gordura, sais minerais, substâncias extrativas, etc.
Dentre as proteínas temos as solúveis e insolúveis; as solúveis principais são o miogênio, globulina-X e mioglobina. Como insolúveis podemos destacar actina, troponina e tropomiosina.
Como substâncias de reserva o músculo apresenta glicogênio e gorduras. A proporção de ácidos graxos presentes nas fibras está na razão direta das necessidades energéticas.
A carne de animais de abastecimento apresenta quantidades diferentes de gordura, pois esta é proporcional a ingesta alimentar. Quando o conteúdo de gordura é inferior a 5% é denominada carne magra.
As substâncias extrativas agem estimulando as secreções glandulares do trato gastrointestinal. Durante o cozimento da carne essas substâncias entram em solução e formam o suco (molho ou caldo) da carne. Na obtenção do gosto ou sabor, participam fosfatos, serina e principalmente ácidos graxos.
As substâncias minerais dos músculos compreendem de 1 a 1,5% e são fundamentais para o processo de atividade muscular. Uma queda do nível de Potássio (K), determina uma queda na eficiência muscular, assim como uma queda do nível cálcico sangüíneo levando a paralisias.

9.2. Características do Músculo

Os músculos apresentam quatro características, a saber: elasticidade, excitabilidade, contratibilidade e condutibilidade.

9.2.1. Elasticidade e Contratibilidade

Um músculo submetido a uma carga ou peso é estirado e o alongamento será tanto menor quanto mais o músculo tiver sido previamente estirado. Retirada a carga este músculo recupera sem comprimento original.
O músculo em atividade é mais distensível que em repouso e uma distensão súbita e intensa pode provocar ruptura ou soltura do músculo

9.2.2. Excitabilidade

O músculo pode ser excitado direta ou indiretamente, sendo a estimulação indireta a mais adequada. Este estímulo ocorre por excitação nervosa dos neurônios motores do corno ventral da medula espinhal.
A estimulação direta independe do Sistema Nervoso tendo como exemplo o estímulo mecânico, químico e o choque elétrico. A temperatura exerce também influência na excitabilidade muscular. Temperaturas acima de 40ºC e abaixo de 0ºC prejudicam a atividade muscular.

9.2.3. Condutibilidade

O músculo apresenta grande capacidade de conduzir estímulos e a velocidade dessa condução depende da solicitação corpórea.

9.3 Mecanismo de Contração Muscular

Quando um músculo contrai é resultado de um trabalho e para isso é necessário energia e esta provém do ATP. Da energia disponível no máximo 25% é utilizada para o trabalho e o restante é dissipado na forma de calor.
Um trabalho intensivo leva a um aumento do tamanho do músculo devido ao aumento do volume de suas fibras o que caracteriza hipertrofia de trabalho e ocorre por aumento do sarcoplasma e das fibrilas contráteis da fibra muscular. Quando inativos os músculos voltam ao seu estado anterior. Não se pode confundir hipertrofia com hiperplasia; na primeira ocorre o aumento de tamanho de órgão sem, no entanto aumentar o seu número de células. No segundo caso, ocorre um aumento de tamanho de um órgão pela proliferação celular, i.é., pelo aumento no número de células.

Se aplicarmos 2 estímulos seguidos em um músculo, o segundo estímulo não terá efeito, por cair no que chamamos período refratário, sendo este período bastante curto e se deve à despolarização nas fibras musculares.
Se um segundo estímulo ocorrer após o período refratário, antes que a primeira contração tenha terminado, ocorre a sobreposição da 2ª contração.

Quando mais de 2 estímulos são aplicados a pequenos intervalos no músculo os estímulos subseqüentes encontram o músculo não totalmente relaxado, ocorrendo nova contração partindo de um estado de contração determinado pelo estímulo precedente e se aumentarmos excessivamente a intensidade dos estímulos, desaparecem as contrações isoladas e o músculo entra em estado de contração permanente (tétano) até a fadiga ou cessação dos estímulos. Esse mesmo efeito se obtém aumentando a freqüência e mantendo-se constante a intensidade estimulatória. Caracteriza tétano de 50-150 estímulos por segundo.

O deslizamento das miofibrilas em uma fibra muscular ocorre por ação da acetilcolina na placa motora. A troponina atua como proteína reguladora no deslizamento dos miofilamentos. O início da contração muscular começa com os Potenciais de Ação nas fibras musculares. Esses potenciais provocam a liberação do íon cálcio do retículo sarcoplasmático, que reage com a troponina, criando um potencial de ação e assim é liberada a acetilcolina, iniciando os eventos químicos do processo contrátil.

Quando ocorre um Potencial de Ação (estímulo) a membrana sarcoplasmática inverte sua carga elétrica ocorrendo, portanto uma despolarização (Bomba de Sódio). No sarcolema existe o que chamamos de Potencial de Membrana que é a existência de cargas elétricas na parte interna e externa da membrana.
Quem ativa o potencial de membrana é a difusão de íons e o transporte ativo de elétrons, sendo este o mais importante, estando em relação direta com os íons sódio, daí esse transporte ser chamado de Bomba de Sódio. A passagem do sódio através da membrana determina uma diferença de potencial de 85.000 mV, criando o estímulo, que nada mais é do que o Potencial de Ação.

Para que ocorra o relaxamento, a vesículas sinápticas liberam colinesterase e esta estimula o retículo sarcoplasmático a recolher o cálcio, ocorrendo a repolarização da membrana e com isto o relaxamento. No período de despolarização a membrana não responde a nenhum estímulo, pois está no que chamamos Período Refratário Absoluto.
O potencial de ação vai determinar que o estímulo recebido por uma célula nervosa seja transmitido para outra célula nervosa ou para uma fibra muscular.

9.3.1. Unidade Motora

Um único neurônio motor pode inervar um grande número de fibras musculares. Cada fibra nervosa motora que se origina do corno ventral da medula inerva geralmente muitas fibras musculares. O neurônio com todas as suas ramificações e as fibras que ele inerva são definidos como unidade motora. Em média considera-se 150 fibras musculares para cada unidade motora, embora os músculos de movimento rápido e preciso possuam poucas fibras musculares em cada unidade motora para muitas fibras nervosas.

9.3.2. Contração Isométrica e Isotônica

É a contração que ocorre com o músculo tenso, mas sem encurtar significativamente, permanecendo quase que igual. Quando o animal está de pé, os músculos estão tensionados, mas não encurtam; esta contração é isotônica.
Quando em movimento o animal contrai visivelmente sua musculatura, modificando a forma do músculo para que ele possa encurtar; esta contração é isométrica.

9.3.3. Mecanismo de Somação

Na realização das diferentes funções do corpo, é muito importante que cada músculo seja capaz de contrair com força diferente e isso se consegue pela somação da contração. Quando se deseja contração fraca poucas fibras contraem ao mesmo tempo e a recíproca é verdadeira. Essa somação pode ser do tipo multifibrilar e em onda.
Multifibrilar: ocorre a participação de várias unidades motoras contraindo-se ao mesmo tempo, o que determina maior força de contração.
Em Onda: ocorre a segunda contração antes que termine a primeira.

9.3.4. Fadiga Muscular

A contração forte e prolongada do músculo leva-o a um estado de fadiga muscular. Isto resulta da incapacidade dos processos metabólicos e contráteis produzir a mesma quantidade de trabalho. Tudo funciona normal, mas a contração fica geralmente cada vez mais fraca pela depleção do ATP nas próprias fibras musculares.

Havendo uma queda na irrigação sangüínea ocorre fadiga muscular total em um minuto, mesmo com o músculo inativo, pela falta de nutrientes que deixam de chegar ao músculo.

9.3.5. Atrofia Muscular

Quando a inervação de um músculo é destruída o músculo entra em atrofia, i.é., suas fibras musculares começam a degenerar e ele diminui de tamanho. Isto também ocorre quando o músculo deixa de ser usado, como no caso da imobilidade por fratura (lei do desuso; não usou, atrofiou).
Para se verificar se as causas da fraqueza ou de paralisia é por problemas neuronal, no SNC ou na junção neuromuscular pode-se fazer um eletromiograma cuja técnica se assemelha ao ECG.
9.3.6. Músculo Liso

Apenas 1/500 da energia necessária para contração do músculo esquelético é usada na contração do músculo liso; isso decorre de que pelo fato da musculatura lisa apresentar bem menos filamentos de miosina. Essa utilização de energia a menor é extremamente importante para o funcionamento global do organismo, visto que órgãos como o intestino, bexiga e vesícula biliar e outras vísceras devem manter grau moderado de contração durante a vida.
A musculatura lisa se caracteriza por apresentar 2 tipos de músculos: multiunitário e visceral.
Multiunitário: é formado por fibras musculares distintas, com cada fibra atuando independentemente das outras e é em muitas vezes inervada por terminação nervosa única. Ex.: músculo ciliar, pilo-eretor e íris do globo ocular.
Visceral: é excitado por estímulos não neurais. Quando uma parte do músculo é estimulada o potencial de ação é conduzido para as fibras vizinhas ao mesmo tempo contraindo tudo simultaneamente. Ex.: intestino, vias biliares, ureteres, útero e vasos sangüíneos.
A metade de todo controle do músculo liso é desencadeada não por potencial de ação, mas sim por fatores estimulantes como, por exemplo:
1) Falta de oxigenação, o que determina vasodilatação;
2) Aumento do CO2 o que também determina vasodilatação;
3) Elevação da taxa de ácido lático, da concentração de íons potássio e cálcio, e queda na temperatura corporal, o que também determina vasodilatação;
4) Secreção hormonal de acetilcolina, epinefrina, norepinefrina, ocitocina, serotonina, histamina, angiotensina, etc.

A musculatura lisa também apresenta inervação intrínseca (própria) o que a faz apresentar movimentos próprios, como no caso, por exemplo, do estômago que apresenta o plexo de Auerbach que lhe confere movimentos independentes. O SNA também exerce grande influência no tônus da musculatura lisa.

10. TECIDO ÓSSEO

O Tecido Ósseo diferencia-s dos demais tecidos do organismo animal pela suas riqueza em substâncias minerais e essas substâncias são fundamentais para a estabilidade dos ossos.
Segundo sua forma, distingue-se 3 tipos de ossos, os quais desempenham funções distintas:
Ossos Chatos: são constituídos de duas camadas compactas mais externas e englobam uma substância esponjosa. Estão presente no crânio, escápula e costas.
Ossos Curtos: estão presentes nas vértebras e tarsos.
Ossos Longos: são próprios para sobrecargas mecânicas. Sua porção média recebe a denominação de diáfise e as extremidades epífises.
Quando o tecido ósseo for insuficientemente mineralizado apresenta menor resistência mecânica e tende a sofrer deformações como no caso do raquitismo.
O tecido ósseo se compõe de 3 tipos de células responsáveis pela formação, reabsorção e remodelagem óssea, que são osteoblastos, osteócitos e osteoclastos. Estas células têm comportamento influenciado por hormônios, vitaminas e minerais dietéticos.
Osteoblastos: são as células ósseas jovens com grande atividade metabólica, cuja função é produzir matriz óssea, sendo responsável pela calcificação dos ossos, em conjunto com a vitamina K.
Osteócitos: são as principais células da constituição óssea adulta. São as células ósseas adultas e inativas.
Osteoclastos: são células gigantes oriundas de monócitos e desempenham importante papel na reabsorção óssea.
O metabolismo das células ósseas é intenso o que propicia a mobilização e deposição intensa de constituintes ósseos.
Como o tecido ósseo é intensamente vascularizado, há constantemente uma grande troca de minerais e nutrientes e essa troca é inversamente proporcional à idade.
O tecido ósseo desempenha importante papel na regulação do nível plasmático de cálcio e fósforo, sendo este nível também regulado pelo paratormônio e calcitonina.
Como exemplo da ação hormonal podemos citar a ação do PTH que determina remoção de cálcio para equilibrar sua concentração sanguínea.
Diferentes ossos, principalmente os ossos longos tubulares, contêm medula óssea, a qual promove a formação de hemácias, leucócitos e trombócitos.
Os ossos dos animais adultos apresentam em média 25% de água, 45% de substâncias minerais e 30% de substâncias orgânicas. As substâncias minerais constituem as cinzas ósseas que apresentam cerca de 37% de cálcio e 19% de fósforo.
Dos compostos orgânicos de 95% a 98% são representados por colágeno e 30% dos aminoácidos desse colágeno corresponde a hidroxiprolina, cuja excreção na urina serve de indicador da intensidade do metabolismo ósseo.
Cerca de 30% das proteínas do organismo é colágeno que é a proteína mais importante dos ossos, cartilagens e tecido conjuntivo propriamente dito. Podemos citar ainda a sialoproteína óssea, fosfoproteína, osteogenina, osteocalcina, etc.


9.2. Metabolismo Ósseo

O metabolismo ósseo é, em grande parte, regulado pelo Paratormônio, Calcitonina, Estrógenos, Testosterona, Hormônio do Crescimento (Somatotropina), Tiroxina e vitaminas A, C e D.

Paratormônio: promove a desmineralização do osso, determinando a liberação do íon cálcio para o sangue.
Calcitonina: inibe a liberação do íon cálcio quando o plasma apresenta concentração acima do limiar normal. Inibe a formação de osteoclastos e a conseqüente reabsorção osteoclástica, aumentando a diurese do Cálcio.
Somatotropina e Tiroxina: São tão importantes no crescimento ósseo que sua deficiência determina nanismo.
Testosterona: também promove o crescimento ósseo, além do desenvolvimento da musculatura. Como se trata de um hormônio masculino, o macho apresenta maior taxa de crescimento que a fêmea.
Estrógenos: favorecem a utilização de cálcio e fósforo e exercem influência na forma característica da pélvis feminina.
Vitamina A: como ativa a síntese protéica, participa do crescimento ósseo devido à síntese de colágeno.
Vitamina C: sua deficiência leva a uma menor formação de colágeno e conseqüentemente determina alterações osteoporóticas (osteoporose).
Vitamina D: auxilia na absorção de cálcio no intestino, para a ossificação, dando ao osso o fortalecimento e crescimento necessário.

Todos esses elementos estão em constante contato com o sangue, pois os ossos são ricamente vascularizados.

Em resumo podemos dizer que os ossos oferecem importância na medida em que são responsáveis pela sustentação do corpo, por oferecer proteção a órgãos vitais como o coração e pulmões, por proporcionar movimentos ao corpo, funcionando como um sistema de alavancas.

10. ÓRGÃOS DO SENTIDO


Pouco se sabe sobre as impressões sensoriais dos animais, sendo possível se fazer apenas suposições. Quando a percepção sensorial envolve algum componente emocional, torna-se mais fácil, pela demonstração do animal que nos informa se o estímulo é ou não agradável.

Os sistemas sensoriais seguem as mesmas regras do sistema nervoso. Neste capítulo veremos os sentidos do tato, sabor, olfato, visão e audição, pois que o sentido do equilíbrio já foi visto.

10.1 Tato


Os receptores do tato localizam-se em maior ou menor número nas diferentes partes do corpo. Os distúrbios de sensibilidade podem se manifestar por hipersensibilidade (hiperestesia) e hipossensibilidade (hipoestesia).
A falta total de sensibilidade caracteriza um estado de anestesia. Patologicamente o animal pode apresentar a perda deste sentido; aí ele é classificado como disáfico.
Por meio do tato se pode mediar diversas qualidades sensoriais que diferem entre si pelo tipo de estímulo como: sensação de pressão e contato, sensações dolorosas, cócegas e prurido.

10.2 Pressão e Contato

Os receptores responsáveis pela sensação de pressão estão espalhados praticamente por todo organismo, faltando apenas nos órgãos internos e serosas, enquanto os receptores de contato localizam-se abaixo do epitélio de revestimento externo, exceto córnea, conjuntiva ocular e glande peniana.
A sensibilidade em áreas isoladas da pele diverge entre as espécies. Os lábios dos eqüinos são muito sensíveis, assim como a parte chata do focinho dos suínos, enquanto os lábios dos bovinos apresentam pouca sensibilidade.

10.3 Sensações Térmicas

Essas sensações são percebidas somente em alguns pontos, existindo pontos de frio e de calor. Existem mais pontos para o frio do que para o calor, existindo 13 pontos/cm2 para o frio e apenas 1,5 pontos/cm2 para o calor.


10.4 Sensações Dolorosas

Essas sensações pertencem ao Sistema de Nocicepção, que é responsável pelo reconhecimento dos estímulos nocivos ao organismo. Os receptores dolorosos inexistem nas vísceras como cérebro, rins e pulmões, ao contrário da serosa que os recobre.

A dor exerce grande influência sobre o Sistema Vegetativo.
A sensação dolorosa é a mais fácil de se comprovar nos animais e varia conforme a espécie e a idade.
Bovinos são menos sensíveis que os cães. As aves geralmente não apresentam sensações dolorosas superficiais. Com a idade essas sensações diminuem.
Uma forma especial de dor é a coceira (prurido) que chega às vezes a automutilação.
Existem diferentes métodos para se combater a dor, dentre eles: (1) anestesia local; (b) neurectomia; (c) anestesia epidural; (d) analgesia e (e) distração.


10.5 OLFATO

O órgão sensorial para detecção dos cheiros é o epitélio olfativo situado na região pituitária das fossas nasais. Esse epitélio é constituído por receptores neurais – células ciliares – cujos cílios se projetam para cima do plano de sua superfície para o muco sobrejacente.
As substâncias para serem pressentidas devem ser voláteis e hidro ou lipossolúveis. A região olfatória é mais desenvolvida nos canídeos e roedores, sendo esses animais chamados macrosmáticos por apresentar grande capacidade olfativa.
Os que apresentam pequena capacidade olfatória são chamados de microsmáticos, como os suínos e primatas. E os animais que não apresentam poder olfatório, são denominados de anosmáticos. Ex.: peixes.
Os cílios das células ciliares penetram no muco produzido na região pituitária e qualquer substância odorífera entra em contato com o muco, reagindo quimicamente, gerando um potencial de ação que estimula as terminações nervosas, sendo este estímulo conduzido ao córtex cerebral (centro olfatório) através do nervo olfatório.
Durante a mastigação os alimentos emitem partículas odoríferas que penetram nas coanas, vão à região pituitária, estimulando as células olfatórias.
O olfato desempenha papel importante na proteção, procura do alimento e na vida sexual.
Anomalias do Olfato:
Anosmia: falta de olfato; hiposmia: diminuição; hiperosmia: exacerbação.

10.6 PALADAR

Assim como o olfato este também é um sentido químico devido seus receptores serem estimulados quimicamente. Os receptores gustativos são excitados pelas substâncias presentes no alimento.
Os botões gustativos (receptores) estão localizados nas papilas gustativas.
Antes que uma substância possa ser provada ele deve ser dissolvida no líquido da boca, e, em razão disto, é que substâncias altamente difusíveis e solúveis como sais e outras pequenas moléculas produzem maior sensação de sabor.
Substâncias constituídas por grandes moléculas e pouco solúveis como proteínas produz menor sensação gustativa.

10.6.1 Tipos de Sabores

Em termos psicológicos são identificados quatro sabores principais: doce, salgado, amargo e ácido. Cada papila apresenta até certo grau receptores para todos os tipos de sabores, entretanto, cada papila apresenta sensibilidade para um ou dois desses tipos de sensações gustativas que para outros.

O cérebro identifica o tipo de sabor pela proporção de estimulação dos diferentes tipos de receptores (botões gustativos), isto é, se uma papila que responde primariamente a salinidade é estimulada mais intensamente que as papilas que responde a outros sabores, o cérebro interpreta o sabor como salgado mesmo com as demais papilas sendo estimuladas.

10.6.2 Botões Gustativos

O número de botões gustativos varia conforme a espécie animal, sendo que a galinha os apresenta em menor número.
Juntamente com as sensações gustativas ocorrem sensações olfatórias.

O sabor ácido para ser identificado depende da concentração do íon hidrogênio e o sabor salgado puro só é fornecido pelo cloreto de sódio (NaCl).
As papilas para o doce detectam a quantidade de açucares no alimento. Assim os animais detectam se os frutos estão maduros ou não. Em termos essenciais os frutos doces podem ser comidos sem perigo algum.
As papilas para o sabor amargo exercem função protetora, pois detectam principalmente os venenos das plantas selvagens. É interessante observar que os caprinos não apresentam receptores para este sabor, daí não escolherem muito o alimento.

As papilas obviamente participam da regulação da dieta, pois o sabor doce, por ser agradável, leva o animal a escolher os alimentos doces.
Por outro lado os alimentos amargos – identificam os venenos – são quase sempre desagradáveis.
Se o animal está privado por muito tempo de sal, o alimento salgado torna-se mais saboroso.

10.7 Audição

Muitas espécies de mamíferos têm um sentido de audição muito apurado. A audição depende de propriedades notáveis de células receptoras ciliadas da cóclea que transformam o som em Potencial de Ação a serem transmitidos ao cérebro.
A intensidade do som está relacionada com a amplitude da onda sonora e a altura está relacionada com a freqüência das ondas por unidade de tempo.
Define-se som, como uma série de ondas de compressão que percorre no ar, a uma temperatura de 15ºC, a velocidade de 340 m/s, sendo transmitido através de ondas sonoras.
O som emitido com freqüência inferior a 16 Hz é classificado como infra-som e acima de 20.000 Hz, ultra-som.
Os animais domésticos ouvem com capacidade auditiva bem diferente. Cães são capazes de ouvir vibrações sonoras de 10 a 40.000 Hz.
Bovinos e eqüinos ouvem dentro de um limite de aproximadamente 20.000 Hz. Gatos e ratos ouvem até 80.000 Hz. Gato e rato emitem por suas cordas vocais ultra-sons que são percebidos por eles e essa capacidade perceptiva tem grande importância na caça e fuga.

10.7.1 Aparelho Auditivo

A função do Aparelho Auditivo é converter o som em impulsos nervosos e este aparelho se divide em Ouvido Externo, Ouvido Médio e Ouvido Interno.

10.7.1.1 Ouvido Externo

Vai desde o pavilhão auricular até o tímpano, constituído do pavilhão da orelha e conduto auditivo externo. O pavilhão auricular é móvel nos animais para melhor captação das ondas sonoras, o que não ocorre com o homem.
O pavilhão auricular e o conduto auditivo externo conduz as ondas sonoras para a membrana timpânica. O conduto também tem função protetora graças ao cerúmen produzido pelas células ciliares que o reveste.
Separando o ouvido externo do médio observa-se o tímpano constituído por 3 camadas: externa, média e interna.
Externa: continua-se com a pele que reveste o conduto;
Média: corresponde ao tímpano propriamente dito. É formada por fibras elásticas circulares e radiais e isto permite que o tímpano esteja sempre tenso para que possa vibrar quando estimulado.
Interna: também apresenta cílios, pois é formada pelo mesmo tipo de tecido do ouvido médio.

10.7.1.2 Ouvido Médio

Também é chamado de caixa timpânica. Anteriormente está limitado pela membrana timpânica e posteriormente com a janela oval e redonda. A caixa timpânica tem como função manter constante a pressão dentro do ouvido médio, regulando-a para que seja semelhante à pressão atmosférica. Essa função é da tuba auditiva (Trompa de Eustachio) que comunica o ouvido médio com a faringe; ela se abre no momento da deglutição para fazer essa regulagem e ainda tem como função escoar as secreções do ouvido médio.

O ouvido médio apresenta 4 ossículos auditivos que são: martelo, bigorna, ossículo lenticular e estribo. Quando o som chega com grande intensidade esses ossículos enrijecem por um mecanismo reflexo, atenuando-o.

10.7.1.3 Ouvido Interno

Limita-se anteriormente com a janela oval e redonda. Consiste no labirinto ósseo no qual podemos distinguir os canais semicirculares e aparelho vestibular e a cóclea (ou caracol).
O Aparelho Vestibular, como vimos está relacionado com a posição da cabeça e a Cóclea relaciona-se diretamente com a audição.
A cóclea é um tubo enrolado em espiral, formada por 3 túbulos situados um ao lado do outro que são a rampa vestibular, rampa média e rampa timpânica. Todos esses túbulos estão cheios de líquidos e separados entre si por membranas.
Os líquidos das membranas média e vestibular têm origem diferente e as diferença química entre eles é de suma importância para o funcionamento das células receptoras de sons.
A membrana que separa a rampa média da rampa timpânica – membrana basilar – tem sobre ela o Órgão de Corti que é a parte coclear verdadeiramente receptora do som. Este órgão é constituído por células ciliares que converte as vibrações sonoras em sinais neurais.
Quando as ondas sonoras atingem a membrana timpânica esta vibra. O centro desta membrana está fixado ao cabo do martelo e este está articulado à bigorna, que por sua vez está articulada ao estribo.
Com a vibração do tímpano vibram os ossículos auditivos, fazendo com que o estribo funcione com movimentos semelhantes ao bater de um carimbo na janela oval. Este ato de empurrar o estribo contra a janela oval desloca o líquido coclear, criando uma onda. Isto faz com que o líquido da rampa timpânica faça pressão sobre a janela redonda que estufa para o ouvido médio. Á medida em que a vibração sonora cessa faz com que o estribo volte à sua posição inicial e toda seqüência é invertida. Esse movimento dos líquidos estimula as células ciliares do Órgão de Corti, produzindo um sinal elétrico que é transmitido para o 8º par de nervos craniano (Nervo Acústico) e dele para o SNC, onde são interpretados pelo córtex cerebral.

10.8 Visão

Os olhos são órgãos sensoriais complexos que são, basicamente, a extensão do cérebro.
Cada olho tem uma camada de receptores, um sistema de lentes para focalização da imagem sobre esses receptores e um sistema de axônios para transmissão de potenciais de ação para o cérebro. Ainda apresenta duas câmaras, uma anterior e outra posterior que estão preenchidas por um líquido chamado Humor Aquoso.
Separando a câmara anterior da posterior existe um diafragma que denominamos de Íris.
Os principais componentes do sistema visual são:

1) O olho que funciona como uma câmara fotográfica para focalizar a imagem visual sobre a retina;

2) Retina que converte a imagem visual em padrão de impulsos nervosos a serem transmitidos ao encéfalo;

3) Um mecanismo encefálico para interpretação dos sinais visuais;

4) Um mecanismo encefálico para o controle das funções motoras dos olhos, como focalização, regulação da entrada de luz e direcionamento dos olhos para os objetos de interesse.

10.8.1 Anatomia Funcional do Olho

O olho compreende o globo ocular, nervo ótico e estruturas acessórias como pálpebras, conjuntiva, músculos oculares e glândulas lacrimais.

10.8.2 Globo Ocular

Trata-se de um corpo esferóide constituído de três camadas: externa, média e interna.

Camada Externa: consta de uma parte anterior – córnea – e uma posterior – esclerótica. A córnea é a membrana transparente anterior ao olho que permite a passagem da luz para o interior deste. Não apresenta vascularização e é muito hidratada e devido a essa hidratação é que ela torna-se transparente, pois se hidratada não fosse ficaria opaca como no feto e no morto. Quem promove essa hidratação é a lágrima produzida pela glândula lacrimal situada no canto lateral do olho, por ação parassimpática. Além dessa importante função, a lágrima também protege o olho imunologicamente pela presença de globulina A. ao excesso de secreção lacrimal dá-se o nome de Epífora.
A córnea se continua com a esclera (esclerótica) que é opaca à luz.

Camada Média: é ricamente vascularizada, sendo, por conseguinte, responsável pela nutrição do olho. Compõem esta camada, a íris, pupila, coróide e processo ciliar.
Íris – corresponde à parte mais pigmentada da porção anterior do olho.
Pupila – é o orifício da íris, que funciona no controle de entrada da luz no olho. É constituída por fibras radiais e circulares, responsáveis pela midríase e miose. Sua forma varia conforme a espécie animal. Nos eqüinos e ruminantes ela é horizontal, nos cães circular e nos felinos vertical. Seu tamanho varia conforme a idade (diminuindo na velhice), sexo (fêmea tem maior abertura), sono (diminui), estado emocional (aumenta), luz (no escuro aumenta, no claro diminui). O aumento pupilar chama-se midríase e a diminuição miose. Esses fenômenos são responsabilidade do Sistema Nervoso Simpático e Parassimpático.

Coróide – parte da camada média responsável pela nutrição da retina e em razão disto é bastante vascularizada.

Processo Ciliar – é um conjunto de fibras que juntamente com o ligamento tensor acomoda o cristalino. Este processo une-se à coróide por trás e à íris pela frente.

Camada Nervosa: corresponde à retina propriamente dita. É a porção nervosa do olho. É ela que converte o estímulo luminoso (imagem visual) em impulsos nervosos que serão enviados ao córtex cerebral. Apresenta cinco tipos de células: Fotorreceptoras, Bipolares, Horizontais, Amácrinas e Ganglionares.

Existem dois tipos de células fotorreceptoras: os cones e os bastonetes.

Como já vimos o Humor Aquoso, preenche as câmaras anterior e posterior e logo após esta, existe uma cápsula elástica contendo uma substância gelatinosa transparente, chamada de cristalino. Como o cristalino está preso a ligamentos, estes o tracionam em sua região equatorial deixando-o com sua forma achatada, caso contrário ele seria esférico.

O líquido situado posteriormente ao cristalino se chama Humor Vítreo sendo sua constituição semelhante ao anterior e esses humores são originados do sangue que irrigam o olho.
O Humor Aquoso é constantemente produzido e absorvido várias vezes ao dia através do sistema venoso. Se houve obstrução deste sistema, a produção continua aumentando a pressão interna do olho, levando ao Glaucoma. Quando a pressão interna exceder a venosa leva à cegueira.
Quando exercemos uma pressão sobre os globos oculares em cães, ocorre um reflexo nervoso que envolve o 5º (Trigêmio) e o 10º (Vago) par de nervos cranianos e, mediante auscultação, observamos uma menor freqüência cardíaca. Às vezes observa-se o inverso e isto se deve por estímulo simpático devido ao temor de ser testato.

A presença da 3ª pálpebra – membrana nictante – encontrada na comissura palpebral tem por função proteger a córnea, sendo maior e apresenta maior mobilidade nas aves.

10.8.3 Mecanismo da Visão

Para que o animal possa distinguir uma imagem, primeiro terá que receber um estímulo luminoso que excite os fotorrecptores (cones e bastonetes). Como estímulo entende-se os raios luminosos. Esses raios só estimulam as células luminossensíveis (fotorreceptores) se tiverem um comprimento de onda ideal.
Um raio excessivamente longo – por exemplo, 7.200 Angstrons – é considerado infravermelho (IV) e quando incide sobre as células, elas os absorve elevando a temperatura tecidual.
As radiações com comprimento de onda de 4.000 Angstrons – raio ultravioleta (UV) – tem a propriedade de causar atividade química nas células que as absorve e as radiações compreendidas entre os raios IV e UV (4.000-7.200 Angstrons) são os que realmente estimulam os cones e bastonetes. A esta faixa de comprimento de onda 4.000-7.200 Angstrons dá-se o nome de Espectro Luminoso.
Quando a luz passa por um meio transparente homogêneo como o ar, tem velocidade uniforme e linha reta. Mas quando incide obliquamente em uma superfície também homogênea, parte se reflete e parte penetra, porém com velocidade e direção diferentes, i.é., sofre refração.
Quando raios luminosos incidem sobre uma lente biconvexa (caso do cristalino) convergem em um foco ou ponto que é dito ponto focal.
No olho é importante a exclusão da luz, portanto a opacidade da esclerótica e o pigmento da coróide, retina e íris assegura a exclusão de todo raio luminoso, exceto o que penetra na pupila. A pigmentação se deve à melanina, cuja função é absorver os raios luminosos impedindo a reflexão da luz.
Os animais albinos por não apresentarem capacidade de produção de melanina têm visão inferior aos normais.
Ambos os tipos de células fotorreceptoras se conectam com as células bipolares e estas por sua vez conectam-se às ganglionares que criam o Potencial de Ação que através do Nervo Ótico vai ao Córtex Cerebral.
As células horizontais e amácrinas modificam o fluxo de informação para as bipolares e ganglionares, respectivamente, fazendo uma mediação.
Os bastonetes são adaptados para visão noturna e em razão disto são altamente sensíveis à luz de todos os comprimentos de onda. Já os cones são adaptados para visão diurna colorida, mais nítida e são, portanto menos sensíveis à luz.
Ao chegar um raio luminoso na retina, ele age nos bastonetes que absorvem a vitamina A e esta é transformada em retineno. Este retineno combina-se com uma proteína – escotopsina – presente nos bastonetes, formando um novo composto, a rodopsina. Parte da rodopsina transforma-se em luminorrodopsina e esta imediatamente transforma-se em metarrodopsina.
A metarrodopsina por ser altamente instável, transforma-se imediatamente em retineno e escotopsina. A velocidade de decomposição da rodopsina depende da intensidade do raio luminoso. Algumas espécies apresentam uma maior concentração de rodopsina e em razão disto têm melhor visão noturna. Durante todo esse processo os bastonetes criam sinais neurais que são transmitidos para o encéfalo.

Processo quase que exatamente igual ocorre com os cones, exceto pelo fato de que a proteína é fotopsina em vez de escotopsina.

Existem 3 tipos de cones: o 1º para o azul, o 2º para o verde e o último para o vermelho. Eles são estimulados de acordo com o comprimento dos raios luminosos. Comprimento de 430 nm excita os cones para o azul; comprimento de 550 nm excita os cones para o verde e o comprimento situado entre 600 a 720 nm excita os cones para o vermelho.
Para se conseguir as várias cores é necessário estímulos com combinações dos diferentes cones, exceto para o branco em que todos os receptores devem ser excitados ao mesmo tempo com a mesma intensidade.
Quando os raios chegam à retina e são distorcidos, a fóvea realiza a correção.
Para o preto não há excitação, pois o negro nada mais é do que ausência de cores.
Nos animais de hábito diurno entre a retina e a coróide existe uma camada pigmentar que absorve o excesso de luz.
Nos animais de hábito noturno esta camada contém pigmentos refletores chamado tapetum que causa o brilho noturno. Esses pigmentos são importantes para um melhor aproveitamento da luz, embora o custo seja uma menor acuidade visual, isto é, perde a capacidade de discernir com detalhes a imagem.
Para toda área que pode ser vista, denominamos de Campo Visual, que varia conforme a espécie considerada. Os eqüinos por exemplo apresentam um campo visual de 360º.

A capacidade de diferenciação das cores está desenvolvida em todas as espécies que possuem cones na retina. Os cavalos são capazes de distinguir as cores vermelha, amarela, verde e azul. Bovinos, ovinos e caprinos diferenciam o vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. Os felinos diferenciam bem a cor verde e os primatas e aves percebem a cor em maior grau que os animais domésticos. Mas seste é um tema de muita controvérsia entre os pesquisadores.
Esta afirmativa vai de encontro ao que afirmam alguns pesquisadores que não concordam com GRZIMEK, por falta suficiente de provas.

Devido a vitamina A ser fator preponderante na formação dos bastonetes, sua deficiência leva à Nictolapia ou cegueira noturna.

10.8.5 Anormalidades de Visão

O olho normal focaliza os raios luminosos paralelos exatamente sobre a retina e essa focalização normal é chamada emetropia (visão normal). Porém, muitas vezes a imagem não está em foco com a retina, o que denominamos de Ametropia. Isto ocorre por erros de refração devido ao cristalino ser forte ou fraco ou globo ocular curto ou profundo, levando a anormalidades de visão.
Existem 3 anormalidades que impedem a focalização dos raios luminosos precisamente sobre a retina: hipermetropia, miopia e astigmatismo.
A miopia é causada geralmente por um globo ocular excessivamente comprido e com isto os raios luminosos são focalizados antes de atingir a retina e no momento em que atinge a retina são dispersos. Na miopia se observa o objeto próximo com bastante nitidez, enquanto os distantes não são focalizados.
A miopia é freqüente nos animais domésticos. De 50-80% dos cavalos são emétropes, para 1-30% de míopes e o restante hipermétropes. 70% dos bovinos são míopes. Os cães 22% são emétropes, 55% míopes e o restante hipermétropes. O ponto a partir do qual um animal enxerga é chamado de Ponto de Visão Distinta. Este ponto nos gatos é de 10 cm e numa criança 7 cm. A distância máxima em que ocorre acomodação é o Ponto Remoto de Visão Distinta.

A Hipermetropia ou hiperopia, também chamada vista cansada, é causada pela incapacidade do cristalino de desviar os raios luminosos o suficiente para atingir o ponto focal da retina. Isto ocorre na maioria dos casos pelo fato do globo ocular ser demasiadamente curto. É chamada de vista cansada pelo fato dos objetos distantes serem vistos com maior nitidez do que os próximos.

Quanto mais achatado o cristalino menos luz será refratada, permitindo a focalização de objetos a distâncias maiores.
Quando precisamos focalizar objeto mais perto os músculos ciliares se contraem deixando o cristalino mais esférico.
Com a idade chegando aos 40 anos, nós humanos começamos a apresentar dificuldade para leitura. Isto ocorre porque o cristalino vai perdendo sua elasticidade e, por conseguinte, fica menos esférico. Daí a necessidade de humanos usarem óculos. A capacidade de acomodação do cristalino varia conforme a espécie, sendo maior nos humanos e a seguir pelos predadores.

No Astigmatismo, tanto a córnea como o cristalino pode estar mais alongado em uma direção do que na outra. Com isto os raios que chegam na curvatura alongada são focalizados atrás da retina e os que chegam na curvatura menor focalizam os raios antes da retina, com isto o olho tem visão perto para alguns raios e longe para os demais e assim o olho astigmático não tem capacidade de enxergar com nitidez qualquer objeto não importando a distância que estiver do olho.

Daltonismo: é um a alteração congênita que impede a percepção de uma ou de todas as cores.
Os cones são especializados na percepção das cores. Os que percebem a cor vermelha é denominado de Protan, o da cor verde Deutan e o da azul Tritan, daí para as insuficiências das cores básicas, dá-se o nome de: Protanopia para a deficiência de cones para a cor vermelha, Deuteranopia para a cor verde e Tritanopia, para cor azul.

Quando ocorre uma alteração na acomodação do cristalino. Ela ocorre naturalmente com a idade. Com o envelhecimento, o cristalino perde sua capacidade de acomodar-se, fazendo com que haja um distanciamento do ponto mínimo de visão distinta e esta anomalia chama-se Presbiopia.


11. ENDOCRINOLOGIA


11.1. Introdução

A endocrinologia deu seus primeiros passos como ciência, em 1902, quando os fisiologista britânicos William Bayliss e Ernest Starling comprovaram a existência de uma substância coletada do epitélio duodenal que determinava o pâncreas a produzir seu suco. A esta substância deram o nome de Secretina, sendo esta classificada como hormônio. Hoje, mais de cem hormônios são conhecidos.
A coordenação das funções de todos os órgãos do organismo se processa por meio de dois sistemas reguladores: o Sistema Nervoso e o Sistema Hormonal.
O Sistema Nervoso está ligado praticamente a todas as células do organismo através de suas fibras, influenciando desta maneira em todas as alterações funcionais.
O Sistema Nervoso é importante para a rápida adaptação do organismo às alterações do meio interno e externo.
O Sistema Endócrino está em estreita relação funcional com o Sistema Nervoso, especificamente com o Hipotálamo, através da Hipófise (Sistema hipofisiário-mesencefálico).
O Sistema Endócrino está representado pelas glândulas endócrinas, as quais servem principalmente para regular o desenvolvimento, crescimento e reprodução.
Enquanto na estimulação nervosa vale a lei do tudo ou nada, na reação celular ao estímulo humoral depende da concentração hormonal.
As glândulas secretam hormônios para o sangue circulante e esses hormônios por sua vez, atuam sobre células alvos nos mais diversos pontos do corpo.
A duração dos hormônios no sangue varia de alguns segundos há várias horas. A epinefrina tem duração sanguínea de 10-15 segundos, o STH de 20-25 minutos e esteróides chegam a permanecer no sangue por até 15 horas.

Existem seis glândulas endócrinas muito importantes e várias outras de menor importância. As 6 mais importantes são:

1) Hipófise que secreta oito hormônios de grande importância;
2) Tireóide com 3 hormônios importantes;
3) Paratireóides com apenas um hormônio;
4) Supra-renais com 4 tipos de hormônios importantes;
5) Pâncreas que através das ilhotas de Langerhans secreta 4 hormônios;
6) As gônadas femininas (ovários) e masculinas (testículos) com dois e um hormônios respectivamente.

Os hormônios exercem efeito ativador sobre as reações químicas intracelulares, determinando que as células tenham uma maior atividade específica funcional.

11.2. Natureza dos Hormônios e suas Funções

Hormônio é uma substância química produzida por uma parte do corpo com a função de atuar no sentido de controlar ou ajudar no controle de alguma função em outra parte do corpo.
De acordo com o sítio de ação, em geral os hormônios são classificados em dois tipos: locais e gerais.
Locais: atuam sobre as células situadas na vizinhança do órgão secretor do hormônio. Ex.: acetilcolina, histamina e os hormônios gastrintestinais.
Gerais: são lançados no sangue pelas glândulas endócrinas específicas agindo sobre órgãos nas partes mais distantes do corpo. Alguns desses hormônios atuam sobre todas as células de modo quase idêntico; outros atuam mais sobre certos tipos de células que sobre outros. Por ex., a Somatotropina e a Tiroxina agem sobre todas as células do corpo. Já os hormônios gonadotróficos atuam de modo mais intenso sobre os órgãos sexuais que sobre outros órgãos.


11.3. Funções Reguladoras dos Hormônios

Podemos enumerar algumas funções reguladoras dos hormônios como as seguintes:
1) A porção anterior hipófise secreta 6 hormônios diferentes que regulam respectivamente o crescimento de todos os tecidos do corpo (STH), a secreção dos hormônios tireoideanos (TSH), a secreção dos hormônios do córtex das supra-renais (ACTH). Produção de leite pelas glândulas mamárias (PL) e a secreção dos diversos hormônios sexuais (FSH e LH);
2) A tiroxina e triiodotironina secretadas pela tireóide que controlam a intensidade do metabolismo;
3) Os hormônios epinefrina e norepinefrina produzidos pela medular das supra-renais que estimulam o SN-Simpático;
4) Os hormônios secretados pelo córtex das supra-renais que regulam a reabsorção do íon sódio (Na+) pelos rins (Aldosterona e Desoxicorticosterona) e os hormônios glicocorticóides e esteróides que regulam o metabolismo dos carboidratos, proteínas e lipídios;
5) A insulina secretada pelo pâncreas que regula o aproveitamento da glicose pelas células do corpo;
6) O hormônio secretado pelos testículos que controlam as funções sexuais e reprodutoras do sexo masculino;
7) Os hormônios secretados pelos ovários e pela placenta que controlam as funções sexuais e reprodutoras da fêmea;
8) O hormônio secretado pelas paratireóides que regulam a concentração do íon cálcio (Ca++) nos líquidos corporais.

11.4 Natureza Química dos Hormônios

Sob o ponto de vista químico os hormônios se classificam em:
- Aminas: são as catecolaminas e os hormônios estereóides.
- Protéicos: são os maiores hormônios e os mais complexos como Ocitocina, Antidiurético, Calcitonina, Insulina, Corticotrofina, Glucagon, Secretina, etc.
- Esteróides: São derivados do colesterol como a Aldosterona, Progesterona, Cortisol, Testosterona e Estrógenos.
- Prostaglandinas: são os hidróxidos de AG insaturados cíclicos sintetizados na membrana a partir de cadeia de AG com 20 carbonos.

11.5 Hormônios Hipofisiários

A hipófise trata-se de uma glândula de grande importância na regulação de outras glândulas endócrinas. Funciona em íntima relação com o hipotálamo e se divide em três partes bem distintas: Anterior ou Adeno-Hipófise, Intermediária ou Meso-Hipófise e Posterior ou Neuro-Hipófise.

11.5.1. Hormônios de Adeno-Hipófise

A Adeno-Hipófise apresenta cinco tipos de células secretoras:
1) Somatotróficas que secretam o Hormônio do Crescimento (STH);
2) Tireotróficas que secretam o Hormônio Tireoestimulante (TSH ou Tireotropina);
3) Corticotróficas que secretam o Hormônio Corticotrofina;
4) Mamotróficas que secretam Prolactina (PL);
5) Gonadotróficas que secretam os Hormônios Folículoestimulante (FSH) e hormônio Luteinizante (LH); Os 2 últimos listados (FSH e LH);
6) Produtoras de Beta-Lipotropina, que funciona como pró-hormônio para os opiáceos endógenos Endorfina e encefalina.

STH (Somatotropina) – A função desse hormônio é promover durante a fase de crescimento, o aumento de todos os tecidos corporais, aumentando o tamanho e o número de suas células. Os ossos ficam mais grossos e mais longos, a pele fica mais espessa e os tecidos moles – coração, pulmões, fígado, etc – aumentam de tamanho.
Em resumo, faz o animal crescer. Sua deficiência leva ao nanismo e seu excesso leva ao gigantismo e acromegalia.

Gigantismo: é o crescimento do jovem de maneira exagerada, porém de modo proporcional.
Acromegalia: ocorre no adulto de maneira desproporcional, crescendo as extremidades, a espessura da pele, as orelhas, o nariz, a espessura da língua e os órgãos internos.
Nanismo: pode ser hipofisiário e hereditário. O primeiro ocorre por deficiência de STH e o indivíduo não cresce, permanecendo infantil em todos seus aspectos físicos.

A Somatotropina age nas células da seguinte maneira:
1) Atua no metabolismo dos glicídios, lipídios e na oxidação dos ácidos graxos;
2) Estimula a síntese e aproveitamento protéico;
3) Estimula o crescimento ósseo pelo aproveitamento do cálcio e fósforo.
Após o crescimento animal o STH continua a ser secretado, porém com função voltada para o metabolismo de gorduras e carboidratos. A secreção desse hormônio é regulada pelo hipotálamo que através de suas células somatotróficas libera uma substância neurosecretora - RF - que através do Sistema Porta- Hipotalâmico-Hipofisiário chega à adeno-hipófise determinando a secreção de STH.

A Tireotropina (TSH) tem como função controlar a secreção da tireóide que produz tiroxina e triiodotironina.

A Corticotrofina (antigamente chamado Hormônio Adrenocorticotrófico ou ACTH) é estimulante da zona cortical das glândulas adrenais, estimulando a secreção de glicocorticóides e esteróides (mineralocorticosteróides e hormônios sexuais).

A Prolactina (PL) é secretada pela adeno-hipófise durante a gestação e período de amamentação. Estimula o crescimento das glândulas mamárias e sua função secretora. Também é responsável pelo instinto materno. Na rata e fêmeas do furão e ratão tem função luteotrófica.

Os Hormônios Gonadotrópicos compreendem os hormônios Folículo-Estimulante (FSH) e luteinizante (LH).

O FSH estimula a maturação dos folículos ovarianos, nos quais se desenvolvem os óvulos, um em cada folículo. Este hormônio também estimula a produção de estrogênio, um dos hormônios femininos.
No sexo masculino promove o crescimento do epitélio germinativo testicular fins dar origem aos espermatozóides.

O LH nas fêmeas atua em conjunto com o FSH na produção de estrogênio. É o responsável pela ruptura dos folículos na ovulação e também faz com que o ovário secrete Progesterona.
Nos machos determina secreção de testosterona que é o hormônio masculino e neste caso recebe a denominação de Hormônio Estimulante das Células Intersticiais (ICSH).

A secreção excessiva ou deficitária dos hormônios adeno-hipofisiários causa doenças características. Insuficiência de FSH/LH causa esterilidade. Excesso de ACTH determina Síndrome de Cushing. Excesso ou deficiência de STH já foi discutido.

11.5.2. Hormônios Neuro-Hipofisiários

A neuro-hipófise não produz nenhum hormônio, apenas os armazena. São eles: Ocitocina e Hormônio Anti-Diurético (HAD), também chamado de Vasopressina.

O HAD exerce importante função no controle da excreção de água pelos rins. Cerca de 85% da reabsorção determinada por este hormônio, ocorre nos túbulos contorneados distais e tubos coletores. Sua deficiência leva uma doença chamada Diabetes Insípidus, observada em cães. Ainda será discutido na fisiologia renal.

A Ocitocina estimula a contração da musculatura uterina no parto e ato sexual e também estimula as células mioepiteliais das glândulas mamárias, provocando a ejeção do leite. A estimulação uterina só ocorre se o útero estiver sob efeito estrogênico.
É inibida na gestação pelo progesterona. Sua liberação é estimulada pelos órgãos do sentido, por ação mecânica e térmica.

A hipófise para secretar seus hormônios terá que ser estimulada por substâncias neurossecretoras do hipotálamo, chamadas de fatores liberadores (RF) que são:
- GnRH – Hormônio liberador de gonadotrofinas (LH-FSH);
- Hormônio liberador de tireotrofina (TSH);
- Dopamina – inibidora do TSH e precursora da norepinefrina que inibe a PL;
- Somatostatina – inibe o STH;
- Hormônio liberador de STH;
- Hormônio liberador de Corticotrofina.


15.5.3 Hormônio Meso-hipofisiário

O Hormônio Estimulante de Melanócitos (MSH) é importante nas mudanças de temperatura, umidade e iluminação, quando determina o mimetismo, em que os animais mudam sua coloração. São importantes nos amimais inferiores.

11.6 Hormônios da Tireóide

A Tireóide participa do sistema endócrino através da secreção de três hormônios: Tiroxina (T4) Triiodotironina (T3) e Calcitonina. O último já foi discutido no metabolismo ósseo. Os dois primeiros participam decisivamente no crescimento e desenvolvimento corporal através das regulação do metabolismo geral.
A secreção de T3 e T4 depende da idade, espécie animal, sexo, estado nutricional, condições climáticas, concentração de iodo no plasma e secreção de RF.
O RF secretado pelo hipotálamo estimula a hipófise a secretar TSH e este TSH estimula a Tireóide a produzir T3 e T4.
A Triiodotironina (T3) apesar de ser mais eficaz que a Tiroxina (T4) é produzida em bem menor quantidade, fazendo com que a segunda participe mais do metabolismo geral. Ambas exercem os seguintes efeitos sobre o organismo:

1) Eleva o metabolismo geral e conseqüentemente o consumo de nutrientes, determinando maior apetite. Sua falta determina uma queda do mesmo em 50%;
2) Estimula a queima dos carboidratos disponíveis e reduz as reservas de gorduras. Uma diminuição desses hormônios leva à obesidade e uma elevação a uma perda de peso;
3) Estimula a atividade cardíaca;
4) Ativa o Sistema Nervoso, aumentando a vigília ou na sua falta determinando sono;
5) Aumenta a motilidade gastrintestinal e secreção de suco. Seu excesso pode levar a uma diarréia.

Em resumo podemos dizer que a Tireóide tem como funções gerais, o aumento do número e tamanho das mitocôndrias, o aumento da quantidade de enzimas celulares e o aumento da taxa metabólica celular.

11.6.1. Anormalidades hormonais

Alterações na secreção da glândula Tireóide leva a enfermidades características:

Hipertireoidismo: ocorre uma hiperfunção da tireóide e com isto o metabolismo basal fica elevado, o animal perde peso, apresenta diarréia, fica nervoso, trêmulo e com taquicardia. A hipófise não consegue regular a atividade tireoideana (TSH), porque o organismo através de seu sistema imune passa a produzir ETLD (estimulador tireoideano de longa duração) o qual estimula a tireóide.

Hipotireoidismo: é a função deficiente da tireóide e pode ser causadas por deficiência de iodo, por hipoplasia, problemas hipofisiários e hipotalâmicos. O hipotireoidismo determina sempre bócio, podendo este ser do tipo coloidal e endêmico.

Bócio Coloidal – ocorre quando a glândula não responde a estímulos por problemas patológicos, passando a produzir grande quantidade de colóide pobre em T3 e T4 e em razão disto aumenta seu tamanho em até 15x o que pode prejudicar a respiração.

Bócio Endêmico – é o mesmo caso, só que não produz hormônios por falta de iodo na alimentação.

17. 7 PARATIREÓIDES

Na maioria dos animais domésticos esta glândula está composta de 4 partes, sendo 2 corpúsculos epiteliais externos e 2 internos.
Os corpúsculos externos ou porções externas se localizam sobre a tireóide nos eqüinos e carnívoros, ou sobre a bifurcação da carótida interna comum, caso de ruminantes e suínos.
Os corpúsculos internos geralmente são encontrados dentro da tireóide. A constituição das paratireóides é de células principais, sintetizadoras de hormônio e as oxifilas que são células sem função endócrina (são as principais envelhecidas).
O hormônio por elas secretado é o hormônio paratireoidiano (PTH), também chamado de paratormônio, cuja função principal é a de regular a concentração do cálcio iônico nos líquidos extracelulares.
O paratormônio tem como funções:
1) Aumentar a calcemia, através da mobilização de sais de Cálcio dos ossos e a absorção de Cálcio no intestino delgado e ainda pelo aumento da reabsorção desse íon nos túbulos renais;
2) Participa da ativação da Vitamina D, para que esta estimule a absorção cálcica intestinal;
3) Promove a excreção de íons fosfatos via renal.

Quando a calcemia está elevada, a secreção de PTH diminui, diminuindo assim a liberação de íon cálcio e fosfatos dos ossos.
A deposição de cálcio nos ossos também é regulada de forma parcial, pela quantidade de força aplicada ao osso, pois quanto maior o peso a que está sendo submetido e quanto maior for a curvatura do osso, mais ativos ficam os osteoblastos.

11.7.1. Anormalidades Paratireoideanas

As anormalidades ocorrem sempre por hipersecreção ou hipossecreção hormonal. O hiperparatireoidismo é estimulado quando há uma perda de cálcio renal, o que determina uma hipocalcemia e isto gera um estímulo para um hiperparatireoidismo e outro fator é a deficiência de cálcio na dieta, o que leva a uma hipocalcemia e isto determina um aumento elevado na produção de paratormônio (hiperpareoidismo). A dieta pobre em cálcio sempre leva a hipertrofia ou hiperplasia.
O fator mais determinante hiperpatireoidismo é o tumor de paratireóides, com a conseqüente elevação na taxa de paratormônio e este hormônio estimula o desenvolvimento exagerado dos osteoclastos. Isto deixa os ossos tão fracos que às vezes um simples apoio leva a uma fratura. Se a calcemia for muito elevada pode haver depósito de sais nos tecidos diversos, levando até ao óbito.
Um caso inverso de anormalidade é o hipoparatireoidismo, o que é raro, mas quando ocorre é por problema congênito como hipoplasia ou acidentalmente por remoção cirúrgica.
Neste caso, por haver hipossecreção hormonal, os osteoclastos são pouco ativados e os ossos não se renovam levando ao envelhecimento da matriz óssea o que torna o osso quebradiço.
A extirpação dessas glândulas se não se fizer tratamento rápido e adequado, leva o animal ao óbito em 3 dias.

11.8 PÂNCREAS

Esta glândula apresenta função dupla, isto é, endócrina e exócrina, sendo, portanto uma glândula mista.

Sua porção exócrina constitui-se de células serosas produtoras de suco pancreático que vai agir sobre os alimentos no intestino delgado. Este suco é composto de enzimas como tripsina, quimiotripsina, carboxipeptidase, lipase, colagenase, etc., além de grande riqueza mineral.

Sua porção endócrina – órgão insular – é composta pelas células de Langerhans que formam verdadeiras ilhotas que perfazem em torno de 1-4% do pâncreas. O homem chega a apresentar 2,5 milhões de ilhotas que se constituem de células Alfa, Beta e Delta e F.
As células Alfa são produtoras de do hormônio Glucagon; As células Beta produzem Insulina; As células Delta produzem somatostatina com ação reguladora da síntese desses hormônios e as células F produzem Polipeptídeo Pancreático.
Glucagon – tem como função estimular a glicogenólise e a glicogênese. Um baixo nível na concentração de glicose no sangue – hipoglicemia – estimula a liberação de glucagon pelas células Alfa, havendo então uma glicogenólise.
Este hormônio estimula a secreção de insulina e somatostatina e sua secreção está relacionada diretamente com a epinefrina e norepinefrina.
Determina diminuição da lipólise hepática e por conseqüência estimula a gliconeogênese, que é a oxidação dos ácidos graxos o que leva a uma cetogênese.
Nos casos raros de deficiência de células Alfa o animal apresenta hipoglicemia idiopática. Este hormônio também é secretado pela mucosa intestinal sendo denominado enteroglucagon. E por alguns autores Glicentin.
Nos tecidos sensíveis à insulina, exceto o fígado, o principal efeito deste hormônio é sobre o metabolismo dos carboidratos, permitindo o transporte da glicose através da membrana celular.

A Insulina tem como funções:
1) Estimular a captação de glicose pelo processo de difusão facilitada;
2) Aumentar a síntese de glicogênio (glicogênese);
3) Aumentar a formação de gorduras (lipogênese) principalmente no fígado e tecido adiposo;
4) Estimula a síntese de substâncias protéicas no fígado;
5) Estimula a lipogênese hepática.

O tecido muscular e adiposo, para captação de glicose depende do processo de difusão facilitada e muito pouco da insulina.
A sua secreção de insulina depende do nível de glicose no plasma e da própria insulina. Nos ruminantes depende do nível de alguns ácidos graxos como propionato, butirato, valerato, isovalerato e capronato. O nível de glicose cai consideravelmente nos períodos de fome.

Nos animais privados de insulina a utilização de glicose é deprimida e o animal é forçado a mobilizar gordura dos depósitos corporais para fornecer a energia ao organismo. Os AG são oxidados resultando como sobra Acetil-CoA.
A Acetil-CoA é convertida em ácido acético ou Beta-hidroxibutírico e esses compostos vão originar os Corpos Cetônicos que são eliminados pela diurese causando uma cetonúria concomitante a uma perda de sódio, o que pode levar a uma desidratação.

Uma deficitária síntese de insulina ou a não formação, leva ao Diabetes Mellitus e dentre os animais domésticos os cães são os mais susceptíveis, principalmente as cadelas cuja idade crítica é entre 8-10 anos e a proporção é de 1 em 200 cães.

Os diabéticos apresentam via de regra os seguintes sintomas: polidipsia, poliúria, polifagia, astenia e emagrecimento e, além disso, leva a sérios problemas circulatórios.

Podemos apontar como causas mais freqüentes para o diabetes a deficiência de células Beta, exaustão dessas células, pancreatite, lesões no pâncreas e uso de drogas que lesem estas células.
Com freqüência se administra insulina aos diabéticos, no entanto esta deve ser administrada via EV, pois por se tratar de um polipeptídeo se for ingerido via oral sofrerá ação das enzimas digestivas.

A Somatostatina é produzida pelas células D pancreática e trata-se de um regulador hormonal encontrado também no SNC e TGI.
Como hormônio hipotalâmico ela inibe a secreção de STH e TSH.
No pâncreas ela inibe a secreção de glucagon e insulina.
No TGI inibe a secreção dos hormônios gastrina, secretina e Colecistoquinina. Também inibe as secreções pancreáticas exócrinas, a secreção de HCl pela mucosa gástrica, a motilidade gastrointestinal e a absorção de glicose pelo duodeno.

O Polipeptídeo Pancreático é produzido pelas células F e tem como função inibir a função exócrina pancreática.


11.9 SUPRA-RENAIS

Trata-se de glândula par, estando localizadas no pólo anterior a cada rim. Nos mamíferos consistem numa porção cortical e numa porção medular, no entanto, tal divisão não é encontrada nas aves. Sua massa depende da idade, da alimentação e da capacidade. Numa sobrecarga por longo período, ou numa alta produção de leite, sua massa chega a aumentar em até 100%.

Sua porção cortical (córtex) se desenvolve no embrião a partir do celoma epitelial, enquanto sua porção medular desenvolve-se a partir de um gânglio simpático.
Seu córtex apresenta-se com coloração vermelho castanho, estando suas células dispostas em 3 camadas, assim distribuídas de fora para dentro:

- Zona Glomerular: também chamada de zona arqueada, com função de produzir os mineralocorticosteróides Aldosterona e Desoxicorticosterona, muito importantes no metabolismo dos íons K, Na, H e Cloretos via renal. É importante salientar que os átrios do coração produzem o Peptídeo Natriurético Atrial que reduz a retenção de sódio pelos rins.

- Zona Fasciculada: responsável pela secreção dos glicocorticosteróides Cortisona (Deidrocorticosterona), Cortisol (Hidrocorticosterona) e Corticosterona. Esses hormônios exercem dentre outras as seguintes ações:

1) Estimula a neoglicogênese hepática, elevando a glicemia sendo, portanto hiperglicemiante. Esta ação é maior no caso de hipoinsulinemia;
2) Facilita a excreção de água pelos rins;
3) Bloqueia a resposta inflamatória;
4) Suprime a ação imune;
5) Estimula a secreção de HCl;
6) Aumenta a taxa de filtração glomerular renal, retendo líquidos;
7) Inibe reações alérgicas, inibindo a liberação de histamina.

- Zona Reticular: secreta pequena quantidade de hormônios sexuais – estrógenos, testosterona e progesterona, esta última relacionada intimamente com a síntese de glicocorticosteróides.

O mineralocorticosteróide mais importante é a Aldosterona, responsável pelo equilíbrio eletrolítico e hídrico do organismo. A secreção desses hormônios ocorre principalmente nas seguintes situações:
a) Quando o sódio (Na) está baixo;
b) Quando o potássio (K) está alto;
c) Em casos de hipovolemia.

Na produção desses hormônios a glândula Epífise exerce eficiente ação, pois estimula a zona glomerular através de seu hormônio glomerulotrófico. Nos casos de hipovolemia ocorrem concomitantemente 3 fenômenos: sede, secreção de HAD e secreção de mineralocorticosteróides.

A porção medular é a parte central, relativamente delgada da glândula, sendo formada a partir de células neuronais do sistema nervoso simpático. Essas células secretam as catecolaminas Epinefrina, Norepinefrina e DOPA (Diidroxifenilalanina) em resposta aos estímulos simpáticos.
A Tirosina por ação enzimática é convertida em DOPA, que sua vez se reduz a norepinefrina que é convertida em epinefrina.
O aumento dos hormônios da medular leva a um aumento da atividade do sistema simpático determinando os seguintes efeitos sobre o organismo:
a) Aumento da pressão arterial;
b) Aumento da freqüência cardíaca; Estimula a glicogenólise;
c) Dilatação das coronárias; Dilatação bronquiolar;
d) Aumenta a secreção das Gl. Sudoríparas;
e) Estimula a lipólise.

A norepinefrina exerce ação vasoconstritora sistêmica, exceto sobre as coronárias e ainda é poderoso inibidor dos efeitos da histamina.
Já a Epinefrina, dentre outras, exerce as seguintes ações:
- Estimula vasodilatação coronária e da musculatura esquelética;
- Vasoconstrição cutânea, hepática, uterina e mesentérica;
- Estimula a glicogenólise e a gliconeogênese;
- Estimula a função cardíaca;
- Provoca a dilatação da musculatura bronquiolar;
- Provoca midríase, sudorose e pilo-ereção.

Concluindo podemos afirmar que as supra-renais são importante na adaptação dos animais às sobrecargas como frio, calor, deficiência alimentar e capacidade de trabalho. A norepinefrina trata-se de um poderoso inibidor dos efeitos da histamina.

Uma adrenelectomia (extirpação das adrenais) leva a uma maior excreção de sódio e cloretos e uma retenção de potássio, com isto havendo uma redução da capacidade da musculatura cardíaca, caindo, por conseguinte a pressão sanguínea, acarretando a morte em poucos dias.

11.10. EPÍFISE

Esta glândula também é conhecida como Pineal. Está localizada no interior da caixa craniana, acima dos tubérculos quadrigêmios, no diencéfalo. Tem a aparência de um grão de feijão, com comprimento de 1 cm e peso variando entre 100-200 mg.
Estudos a seu respeito ainda são um tanto quanto vagos e os dados obtidos ainda são aceitos com certas restrições. Do que se sabe sobre ela, 3 fatos são extremamente importantes:
a) Secreta o hormônio glomerulotrofina que exerce ação na zona glomerular das adrenais, para liberação de mineralocorticosteróides:

b) Secreta melatonina que importante no mimetismo dos vertebrados inferiores; nos vertebrados superiores está diretamente relacionada com o centro do sono e da vigília, ativando o primeiro e inibindo o segundo. A melatonina é também um poderoso anti-oxidante, combatendo portanto os radicais livres. Agindo no cérebro ela inibe o envelhecimento. Estudos recentes comprovam que ela fortalece a formação de anticorpos, aumentando assim a defesa imunológica.

c) Influencia no desenvolvimento sexual dos vertebrados superiores, desempenhando importante papel nos processos reprodutivos através das condições de luminosidade, recebendo estímulo da retina e estimulando a hipófise e gônadas.

11.11. HORMÔNIOS TISSULARES

Epinefrina e Norepinefrina: sua síntese embora seja quase que exclusiva da medular das adrenais, ocorre também nas sinapses nervosas. Seus efeitos já foram discutidos.

Acetilcolina: trata-se de um parassimpático-mimético que se origina da Colina e AcetilCoA. Quando da transmissão de um estímulo nervoso, é liberada pelas vesículas sinápticas, exercendo as seguintes ações sobre o organismo:
a) Dilatação das arteríolas com conseqüente queda da pressão;
b) Vasoconstrição coronária;
c) Estimula o trato gastrintestinal;
d) Constrição brônquica;
e) Constrição pupilar.
f) Estimula os nervos motores, pois é estimuladora da contração muscular.

A Acetilcolina é desativada pela colinesterase.

Prostaglandinas: são classificadas como A, E e F. A prostaglandina A (PGA) promove a dilatação das artérias e a conseqüente queda da pressão, bloqueia a secreção de suco gástrico (daí ser usada nos casos de úlceras gástricas) e também funciona como um estimulante da excreção de sódio via renal.

A prostaglandina E (PGE) estimula o aumento da permeabilidade capilar e estimula a secreção de diversos hormônios. Promove a dilatação bronquiolar e aumenta a força de contração cardíaca. Em cães e gatos leva a luteólise provocando aborto.

A prostaglandina F (PGF) bloqueia a secreção de progesterona pelo Corpo Lúteo e estimula a atrofia deste; eleva a pressão sanguínea e a brônquio constrição. Sinteticamente é produzida (como PGF-alfa-2, porém sem efeito para cães, gatos e primatas) para uso nos distúrbios da reprodução.

Histamina: é liberada quando da reação antígeno/anticorpo pelos mastócitos e basófilos que se rompem por ação das IgE. A histamina liberada na circulação provoca vasodilatação periférica disseminada, bem como permeabilidade aumentada dos capilares com perda acentuada de plasma pela circulação.
Se a quantidade de histamina for elevada, pode acarretar num choque circulatório e outras alterações alérgicas.

Serotonina: produzida pelos neurônios do tronco cerebral e se relacionam com o desencadeamento do sono. Também é liberada pelos trombócitos nos casos de lesão vascular, exercendo ação constritora das arteríolas.

Quininas ou cininas: são originadas de glicoproteínas com a função de promover, em determinados tecidos, a dilatação arterial e arteriolar, assim como o aumento da permeabilidade capilar. As mais importantes quininas são a bradicinina e calidina. Serão revistas na fisiologia da digestão.

12. REPRODUÇÃO


A reprodução é um fenômeno natural entre os animais cuja importância consiste na perpetuação da espécie. Os animais se reproduzem de duas maneiras distintas: de maneira sexuada ou gamética e assexuada ou agâmica.

A reprodução sexuada se realiza com a união de dois indivíduos sexualmente diferentes, os quais através acasalamento irá originar um novo indivíduo, pela união de seus gametas, o óvulo e o espermatozóide, enquanto a reprodução assexuada não exige indivíduos diferentes sexualmente.

A reprodução sexuada inicia com a fecundação ou fertilização do óvulo (gameta feminino) e esta fecundação pode ser interna e externa.
A reprodução interna ocorre no aparelho genital feminino (caso dos mamíferos) e a externa é o caso dos peixes e batráquios.
O gameta masculino no aparelho genital feminino sobrevive por determinado tempo, variando conforme a espécie. Nas aves, sobrevive de 15 a 30 dias, enquanto nos mamíferos sua duração gira em torno de 48 horas, com algumas exceções, como nos morcegos que acasalam no outono e a fecundação ocorre na primavera, na égua que sobrevive 6 dias e na cadela 5 dias.

12.1. Determinação do Sexo

Nos mamíferos, a determinação do sexo ocorre no momento da fecundação, graças ao espermatozóide. Nos machos existe em todas as células diplóides 2 cromossomos sexuais (alossomos) diferentes, os quais são denominados de X e Y, enquanto que nas fêmeas esses cromossomos são do tipo X e X. Durante a meiose, formam-se duas espécies de espermatozóides diferentes: um com o cromossomo X e outro com o tipo Y, sendo que este último determina o sexo masculino do embrião. Quando ocorrer a união de um espermatozóide X com o óvulo que sempre será X, portanto quem determina o sexo do filho será sempre o pai.

12.2 Órgãos Reprodutores Masculinos

12.2.1 Aspectos Anátomo-Histológicos

As células seminais são formadas nos testículos, a partir da maturidade sexual, sendo armazenadas no epidídimo e liberadas depois misturadas com as secreções das glândulas sexuais secundárias, no ato do acasalamento, sendo depositadas no aparelho genital feminino, através do órgão copulador que é o pênis.
Na maioria dos animais os testículos são localizados fora da cavidade abdominal, no saco escrotal.
Nos ruminantes, eqüinos e cães, sua localização é sub-inguinal. Nos suínos se localizam na região perineal e nas aves dentro da cavidade abdominal.

Nos eqüinos existe uma particularidade que é os testículos permanecerem dentro da cavidade abdominal até 1 ano de idade, quando por ação hormonal (testosterona) descem para o saco escrotal.
Existem algumas espécies em que os testículos só descem no período de reprodução e estes são classificados como testicondos.

A morfologia testicular é variável, conforme a espécie, porém no geral é ovóide e seu posicionamento também varia, estando nos ruminantes posicionados verticalmente, nos eqüinos e cães, horizontalmente e nos suínos, obliquamente.

Uma vez formado o embrião, este desenvolve uma estrutura denominada “nefros” a quem também chamamos de rim embrionário, estrutura esta que histologicamente se divide em Pronéfron, Metanéfron e Mesonéfron.
O pronéfron desaparece ainda na vida embrionária, o metanéfron dá origem aos rins e o mesonéfron evolui e transforma-se em eminência genital a qual vai originar as glândulas genitais. Este mesonéfron se constitui de 2 condutos: Müller e Wolff.
Se o embrião gerado for do sexo masculino o Conduto de Wolff desenvolve-se dando origem ao epidídimo, canal deferente e vesícula seminal e o Conduto de Müller atrofia, permanecendo apenas vestígios dele.
No entanto, se o embrião gerado for do sexo feminino o Conduto de Müller desenvolve-se dando origem às tubas uterinas, útero e parte da vagina, enquanto o Conduto de Wolff atrofia, deixando apenas vestígios.
Histologicamente os testículos são formados pelos túbulos seminíferos responsáveis pela formação dos espermatozóides.

A espermatogênese inicia-se quando a espermatogônia (célula tronco) processa a mitose. Este processo ocorre na parede do túbulo seminífero e termina com a liberação dos espermatozóides no lúmen dos túbulos. É um fenômeno que abrange toda seqüência de eventos pelos quais as células germinativas primitivas ou células tronco – espermatogônias – evoluem até espermatozóides. Isto ocorre a partir da puberdade, indo até a velhice.

As espermatogônias tem origem na vida embrionário-fetal e permanecem em estado latente nos túbulos seminíferos, só ficando ativas na puberdade, quando se replicam vertiginosamente por mitose, crescem, se modificam e se transformam em espermatócito I com o mesmo número de cromossomos (2n = nº diplóide).
Cada espermatócito I sofre redução meiótica (meiose) que vem dar origem a dois espermatócitos II que já apresentam nº haplóide.
A seguir cada espermatócito II sofre uma divisão mitótica, gerando quatro espermátides haplóides. Estas espermátides evoluem gradualmente a espermatozóides maduros. Este amadurecimento ocorre no epidídimo, (primeira via espermática) onde ficam armazenadas.

Os espermatozóides maduros tratam-se de células germinativas constituídas de cabeça, colo e cauda, que lhe confere grande mobilidade o que lhes permite o nado livre.

É na cabeça que se encontra o núcleo haplóide e ela é recoberta em sua grande parte pelo acrossomo (capuz) o qual contém várias enzimas, dentre elas, a neuramidase, acrosina e hialluronidase, que quando liberadas auxiliam na penetração do espermatozóide no óvulo.

A cauda permite a mobilidade e sua porção intermediária é responsável pela energia necessária para atividade do gameta.

A meiose é um tipo de divisão celular que ocorre somente com células germinativas. É ela que garante a constância do nº de cromossomos de geração para geração, através da redução do nº diplóide para haplóide (haplóides são verdadeiramente as células germinativas).

A meiose também é importante porque é ela que permite a seleção ao acaso dos cromossomos maternos e paternos entre os gametas. O fenômeno de embaralhamento dos genes resulta na recombinação do material genético.

Entre as células constituintes dos túbulos estão as células de Sertoli e as células intersticiais de Leydig, responsáveis pela secreção de testosterona, sob a influência do ICSH.
As células de Sertoli são a principal fonte do líquido existente nos túbulos seminíferos. Tem importante função de converter a testosterona em deidrotestosterona que é bem mais eficiente que a primeira. Também secreta uma proteína chamada inibina cuja função é inibir a secreção de FSH.

O pênis se constitui de raiz, corpo e glande. O corpo é formado de uma bainha fibro-elástica, corpo cavernoso, corpo esponjoso, vasos e nervos. O corpo esponjoso e cavernoso são responsáveis pela ereção.

Os ruminantes e suínos apresentam o pênis com uma flexura sigmóide, a quem chamamos de S Peniano ou Flexura Peniana. A diferença no suíno é que a flexura é pré-escrotal e a porção anterior é espiralada.

Cães e gatos apresentam no pênis o osso sesamóide, responsável pela penetração durante o ato sexual, sem que haja ereção.

Os felinos ainda apresentam espículos penianos, os quais exercem ação estimuladora à ovulação.

A glande peniana é diferente no cavalo e carneiro, este apresentando um prolongamento da uretra a quem denominamos de Apêndice Vermiforme e aquele apresenta um corpo cavernoso muito sensível, responsável pelo início da ereção.



12.3 Glândulas Sexuais Acessórias


Vesículas Seminais: são duas glândulas situadas próximas à vesícula urinária. Secretam globulinas, hexoses e lipídios, cuja função é nutrição e transporte dos espermatozóides e ainda manter um pH do meio compatível. Também secreta vesiculase. Nos carnívoros estas glândulas não se desenvolvem.

Próstata: trata-se de uma glândula que se situa sobre a uretra na qual desemboca. Sua secreção é rica em fosfatase ácida (AP), lipídios, hexoses e substâncias protéicas. O aumento exagerado de AP no plasma sanguíneo é indicativo de neoplasia prostática. Nos cães, eqüinos e homens, esta glândula é bem volumosa, enquanto nos ruminantes é bem rudimentar. Com o avanço da idade, essa glândula fica hiperplásica o que dificulta a micção.

Bulbo-Uretrais ou Glândulas de Cowper: são duas glândulas que se localizam em ambos os lados da uretra, cuja secreção é rica em mucina que é liberada antes da ejaculação. Estas glândulas inexistem nos cães.


12.4 Fisiologia do Aparelho Genital Masculino


Até o início da maturidade sexual as glândulas germinativas – testículos – estão em repouso, i.é., não formam células germinativas maduras.

A maturidade inicia sob influência do aumento de síntese e secreção de GnRH (RF) pelo hipotálamo. Este GnRH (Gonadotropin-Releasing-Hormone) estimula a síntese e liberação de FSH e ICSH.


FSH – estimula o crescimento dos túbulos seminíferos e a maturação dos espermatócitos e espermatozóides.

ICSH – estimula a formação da testosterona pelas células intersticiais de Leydig, sob a influência da qual as glândulas sexuais acessórias aumentam em volume e passam a funcionar.

A testosterona liga-se às células nervosas do centro erótico hipotalâmico, estimulando a libido e desencadeando o impulso de acasalamento.

Este andrógeno ainda estimula o crescimento do esqueleto e da musculatura. Estimula a atividade secretora das glândulas acessórias. Desenvolve as características corporais em geral que estão associadas com o macho, tais como: no bode desenvolve a barba, no galo a crista e esporas e no javali as presas; marcação do território e calcificação dos chifres.

A formação insuficiente deste hormônio diminui o impulso sexual, mas as condições de iluminação também exercem influência sobre a função do centro erotizante.

O tempo que leva para produzir um espermatozóide num carneiro a partir de uma espermatogônia é de 49 a 50 dias; no touro em torno de 53 dias e nas aves de 13 a 14 dias.
No touro se forma cerca de 12 bilhões de espermatozóides por dia em ambos os testículos e um terneiro de 12 meses tem armazenado no epidídimo de 15 a 20 bilhões de espermatozóides e aos 2 anos aproximadamente 50-80 bilhões.

Os espermatozóides não ejaculados morrem cerca de 3 meses na cauda do epidídimo, sendo eliminados via de regra pela urina ou pelos espermatófagos.

Os espermatozóides constituem-se de cabeça, colo, peça intermediária e cauda. A cabeça é onde se localiza o material genético e na sua porção anterior encontra-se o acrossomo. No colo é onde se localiza o material citoplasmático. A peça intermediária contém enzimas que realizam a frutólise e glicólise e também é responsável pela movimentação do espermatozóide. A cauda tem as mesmas funções da peça intermediária, com mais ênfase na movimentação.

O espermatozóide percorre de 2 a 4 mm por minuto, sendo este movimento apoiado pelas contrações uterinas.

O sêmen corresponde à secreção dos órgãos acessórios dos machos e além dos espermatozóides, apresenta Zn, Cu, Fe, K, Ca, S, B, Mg, Fosfatos, CO2, Proteínas, Lipídios, Sorbitol, Inositol e Frutose, Aminoácidos, Ácido Ascórbico e Cítrico, Colesterol e Ergotioneína, esta última com função de proteger o sêmen contra agentes oxidantes.

O Ácido Ascórbico (Vitamina C) tem função redutora, por exemplo, reduz inositol em frutose.

O volume e a densidade espermática varia conforme a espécie animal, como se vê:
_______________________________________________________________________

Volume Ejaculado Densidade Espermática

Espécie Variação (ml) Média (ml) Espermatozóide/mm3 Média
_______________________________________________________________________
Eqüino 20-250 60 30.000-800.000 120.000
Bovino 2,0-10 6,0 300.000-2.000.000 1.000.000
Ovino 0,7-2,0 1,0 2.000.000-5.000.000 3.000.000
Suíno 150-500 225 25.000-300.000 100.000
Cão 2,0-16 9,0 60.000-300.000 150.000
Gato 0,01-0,2 0,05
Galo 0,5 4 bilhões
Peru 0,3 8-12 bilhões 10 bilhões
_______________________________________________________________________
Dukes, 1.996 – Cunningham, 2.004

Para avaliação da qualidade do esperma se faz exame microscópico, verificando-se densidade e morfologia.
Devido ao pH vaginal o espermatozóide neste canal apresenta viabilidade de poucas horas. No útero é de aproximadamente 48 horas numa média geral, no entanto, no galo é de cerca de 3 semanas na tuba, enquanto que nos perus é de 6 semanas.

12.5 Aparelho Genital Feminino

As glândulas germinativas femininas são os ovários, órgão par, localizados no abdômen, com funções endócrinas e exócrinas. Na região cortical ovariana encontra-se o epitélio germinativo que dá origem ao folículo com seu respectivo ovócito e também é onde tem formação o corpo lúteo.

O Aparelho Genital Feminino se constitui de vias genitais internas e externas.
Externas: compreende a vulva e vestíbulo vulvar.
Internas: compreende as tubas, útero e vagina.

As tubas dividem em Istmo (que se liga ao útero), Ampola (porção intermediária onde geralmente ocorre a fecundação) e Infundíbulo (próximo ao ovário e recebe o óvulo liberado).

Útero: trata-se de um órgão muscular, oco, localizado na região pélvico-abdominal, que se limita com a tuba e cérvix. Existem 3 tipos de útero: simples, duplos e circunvolucionados.
Simples: não apresenta cornos. Ex.: macaca e mulher.
Duplos: apresentam 2 cornos que podem ser flexuosos (caso da vaca, ovelha e cabra) ou arqueados (caso da égua, cadela e gata).
Circunvolucionados: é o caso da porca.
As aves apresentam apenas uma tuba que se continua com a vagina e têm apenas um ovário (lado esquerdo).

Vagina: é um órgão tubular que vai da cérvix até os lábios vulvares; apresenta uma prega próximo ao meato urinário denominada de hímen. Este é mais desenvolvido na mulher, porca e égua, antes da primeira cópula.

As fêmeas também possuem glândulas anexas, porém com menor importância que nos machos e têm como função lubrificar a vagina para facilitar a penetração do pênis. Sua secreção é rica em mucina.

12.5.1 Fisiologia do Aparelho Reprodutor Feminino

Os ovários possuem as seguintes funções principais:
d) Formação dos ovócitos capazes de serem fecundados;
e) Secreção de estrógenos;
f) Formação do corpo lúteo que produz progesterona.

Com o auxílio estrogênico e progestional, o ovário estimula o desenvolvimento das características sexuais secundárias feminina (tubas, útero, vagina e glândulas mamárias).

A ovulogênese é o fenômeno que define a seqüência de eventos que levam as ovogônias a transformarem-se em óvulos maduros.

Durante o início da vida intra-uterina formam-se as ovogônias que proliferam por divisão mitótica, formando os ovócitos primários antes do nascimento, os quais são diplóides.

Ainda antes do nascimento os ovócitos iniciam sua divisão meiótica, mas o término desta só ocorre na puberdade, ficando pois, com a prófase interrompida por ação de uma substância chamada Inibidor da maturação do ovócito (IMO).

Forma-se ainda na vida intra-uterina mais de 300.000 ovócitos nas gônadas femininas, inclusos nos folículos ovarianos.
Com a puberdade, a cada ciclo sexual um ou mais folículos amadurecem (dependendo da espécie) liberando o respectivo ovócito maduro. Este ovócito maduro é denominado óvulo.

O início da puberdade varia com espécie. Na vaca entre 8-12 meses; na ovelha e cabra entre 7-8 meses; na égua entre 12-18 meses; na cadela entre 6-12 meses e na gata entre 6-12 meses.

Diferindo da espermatogênese, na ovogênese um ovócito gera apenas um óvulo enquanto nela gera-se 4 espermatozóides.

A ovulogênese é um fenômeno fisiológico que ocorre periodicamente nas fêmeas púberes e se caracteriza pelas transformações sofridas pelas células germinativas até o desenvolvimento do óvulo.

Com o desenvolvimento do óvulo vem a fase culminante do mecanismo hipófise-ovariano que é a ovulação; esta nada mais é do que a liberação do óvulo maduro na tuba.

As nascer, as fêmeas já têm seu número característico de ovócitos formados. As vacas já nascem com cerca de 150.000 e as mulheres com cerca de 300.000.

12.6 Ciclo Sexual da Fêmea não Fecundada

Compreende as modificações periódicas sofridas pelo aparelho genital, inclusive das mamas. Este ciclo sofre influências externas tais como:
- Fotoperíodo – que a influência da luminosidade;
- Efeito Whiteen – em que a presença do macho entre as fêmeas estimula o ciclo;
- Efeito Bruce – em que as fêmeas recém fecundadas em presença de machos estranhos podem sofrer inibição do corpo lúteo e com isto pode ocorrer a perda do embrião, levando a um novo ciclo.
- Feromonas – o cheiro do sexo oposto pode estimular o ciclo.
- Lactação – os feitos hormonais que determinam a lactação inibem o desenvolvimento do ciclo sexual.

Este ciclo da fêmea não fecundada divide-se em Ciclo Ovárico, Tubárico, Uterino e Vaginal.

O Ciclo Ovárico compreende 4 fases:

Fase de Maturação Folicular: é determinada pelo FSH-LH. Também chamada fase estrogênica porque nela se verifica a secreção de estrógenos determinantes do cio.
Nesta fase a teca interna produz andrógenos (testosterona e androstenediona) sob influência do LH que logo após são convertidos em estrógenos (principalmente estradiol). A função do estradiol é estimular o crescimento e desenvolvimento folicular e informar ao hipotálamo e hipófise quanto à maturidade do folículo para ovulação.

Fase de ovulação: esta fase segue-se à maturação. Nesta, ocorre a ovulação e isto ocorre devido à pressão folicular exercida pelo alto ganho de líquido pelo folículo. A ovulação pode ser espontânea ou provocada.
Os folículos que se desenvolvem apresentam receptores para gonadotrofina; os que apresentam menor número sofrem atresia.

- Ovulação espontânea: o ciclo ovário é sempre difásico, com a fase de maturação seguida sempre da luteinização.

- Ovulação provocada: o ciclo é monofásico e o fenômeno ovulatório ocorre horas após a cópula. É o caso da coelha que ovula 10-12 horas após a cópula e da gata (20-30 horas).
A ovulação no geral ocorre durante o cio, exceção da vaca. Na égua a ovulação ocorre sempre num local determinado, a “fossa de ovulação”.
A ovulação ocorre alternadamente entre os ovários. O ovário direito da vaca e da ovelha, respectivamente, ovula numa freqüência de 65 e 59%, enquanto o esquerdo da porca e égua ovulam com freqüência de 60%.

Fase de Luteinização: esta fase é pós-ovulatória e corresponde à formação do corpo lúteo e este tem vida útil de 12 a 16 dias nas fêmeas de ciclo longo.

O corpo lúteo secreta progesterona espontaneamente, na maioria das espécies, exceção da rata, coelha e fêmea do furão que necessitam de estímulo esterno (cópula). Esta progesterona tem como função preparar o útero para o início e manutenção da gestação.

Fase de Involução do Corpo Lúteo: é rápida no início e paulatina depois. Esta involução ocorre pela degeneração das células do Corpo Lúteo e dá origem ao Corpo Albicans.
Se houver fecundação o Corpo Lúteo permanece ativo pelo tempo característico da espécie.

O Ciclo Tubárico consiste nas modificações da mucosa tubárica, graças à ação dos estrógenos. A atividade da tuba tem por finalidade transportar o óvulo fecundado o que é feito pelo trabalho ciliar e peristáltico.

A maior ou menor velocidade dos gametas na tuba está relacionada com os estrógenos e progesterona. Este trânsito na maioria das espécies é de 3 a 4 dias. Na cópula, devido ao efeito da ocitocina este peristaltismo aumenta.

O Ciclo Uterino se divide em Ciclo Endometrial e Ciclo Cervical.

Ciclo Cervical: sob a ação do estradiol, o conduto cervical secreta maior quantidade de muco, com índice crescente de elasticidade. Na fase de luteinização a progesterona inibe este ciclo.

O Ciclo Endometrial se desenvolve por ação hormonal ovariana e se divide em Fase de Proliferação, Fase de Secreção e Fase de Involução.

Fase de Proliferação: deve-se à secreção de estradiol. Ocorre embebição (edema), proliferação celular, espessamento das paredes e crescimento dos capilares e glândulas e estas se carregam de glicogênio.

Fase de Secreção: as células proliferadas aumentam o muco sob a ação dos estrógenos e progesterona.

Fase de Involução: A fêmea não sendo fecundada o corpo lúteo involui e ocorre uma conseqüente queda no nível de progesterona, ocasionando uma involução nas paredes uterinas.
Nos primatas esta fase implica na perda de substâncias da mucosa, inclusive das glândulas o que leva a uma hemorragia, o que constitui o fenômeno mais evidente na espécie humana – menstruação.

12.6.1 Ciclo Vaginal

Por ação estrogênica ocorre proliferação celular e também degeneração e queratinização e na fase luteínica as células mais profundas substituem as mais superficiais.

12.7 Diferentes Padrões do Ciclo Sexual

Depende da função hipofisiária sobre os ovários e das reações do ovário frente à influência recebida. A hipófise influi no número de fases e o ovário influi na duração do ciclo.

Existem fêmeas em que a formação do corpo lúteo é espontânea, mas só secreta progesterona em pequena quantidade. O ovário para tornar-se ativo necessita do PL (LTH) com ação luteotrófica e este só é secretado quando da cópula e se houver cópula e o macho for estéril, a fêmea desenvolve uma pseudo-gestação, o que se vê na rata.

Por outro lado existem fêmeas em que o corpo lúteo não se forma espontaneamente, a menos que haja cópula. É o caso da coelha, gata e camela, e, se elas copularem com macho estéril, também desenvolvem uma pseudo-gestação.

Também existem fêmeas em que a ovulação e a secreção de progesterona ocorre independentemente da cópula, havendo secreção de progesterona independente ou não da gestação. É o caso da cadela.

Por último, existem fêmeas que a ovulação e secreção lútea são espontâneas, mas a vida do corpo lúteo depende da fecundação. É o caso da maioria dos animais domésticos e da mulher.

12.8 Fases do Ciclo Estral

Proestro: os folículos aumentam de volume, o endométrio e paredes vaginais se espessam, aumentando a irrigação sanguínea.
Estro: período de receptividade sexual e da máxima produção estrogênica. Geralmente é a fase em que ocorre a ovulação.
Metaestro: fase em que ocorre a formação do corpo lúteo e ocorrem alterações do endométrio e das paredes vaginais. Há predominância de progesterona e LH.
Diestro: é a fase de involução do corpo lúteo e da mucosa uterina e também é a fase de repouso ou inatividade sexual.
Anestro: é um diestro prolongado.

Quanto à freqüência estral as fêmeas foram classificadas em monoéstricas, diéstricas e poliéstricas.
Monoéstrica: são fêmeas em que o cio ocorre apenas em uma determinada estação do ano e dentro desta estação ocorre somente um cio. Ex.: loba e hiena.
Diéstica: são fêmeas que apresentam 2 ciclos sexuais em um ano e nesses ciclos existe apenas um cio. Ex.: cadela e gata.
Poliéstricas: são fêmeas que apresentam vários ciclos e vários cios no ano.

12.8.1 Duração do Cio

Vaca: apresenta poliestria anual, com ciclo variando entre 21-22 dias e na novilha dura 20 dias. A ovulação ocorre entre 8 e 15 horas após o cio e este tem uma duração que varia de 10 a 20 horas. O corpo lúteo tem duração média de 16 dias.

Ovelha: apresenta poliestria estacional e seu ciclo dura entre 16 e 17 dias e a ovulação ocorre no terço final do período. O cio dura em média 36 horas e o CL cerca de 14 dias. Existem raças que possui poliestria anual. As raças de lã fina apresentam maior atividade sexual no ano. O que mais influencia na estacionalidade é o fotoperíodo.

Cadela: apresenta diestria anual, com o cio durando 5 a 12 dias, tendo por média 9 dias. A ovulação acontece nos 2 primeiros dias do cio.

Égua: apresenta poliestria anual com ciclo de 21 a 22 dias e o cio com duração de 5 a 7 dias. A ovulação ocorre 1 a 2 dias do final do cio. O primeiro cio fértil ocorre 7 dias após o parto e na jumenta, o ciclo dura de 17 a 18 dias.

Porca: Poliestria anual, com ciclo de 20 a 21 dias e o cio com duração de 40-46 horas. É normal ocorrer um cio 2-3 dias pós-parto, mas não é fértil. O primeiro cio fértil pós-parto ocorre 4 a 8 dias do desmame.

Gata: apresenta poliestria com ciclo de 16 dias. O estro dura 6-7 dias. A ovulação ocorre de 24-32 horas pós-cópula. O macho chega a realizar 8-12 cópulas num período de 4 horas, copulando 4 a 5 cópulas na primeira hora. Se não houver fecundação, o CL dura de 35-40 dias com pseudo-gestação. Se não houver cópula, o CL tem duração de 4 dias.

12.8.1.1 Cio ou Estro

É um fenômeno fisiológico, próprio das fêmeas púberes. Geralmente é exteriorizado por modificações psicossomáticas e o animal torna-se inquieto, emite sons freqüentes e altera o apetite. As micções tornam-se freqüentes; os órgãos sexuais externos ficam congestionados e apresentam corrimento vaginal. A vaca ou porca montam e se deixam montar pelas companheiras e ao toque na genitália levantam a cauda. A égua freqüentemente expõe o clitóris em movimentos rítmicos. As glândulas mamárias podem aumentar de tamanho o que é comum na porca. O cio é mais longo nas multíparas que nas uníparas. Neste período a fêmea aceita o macho.

A fêmea acomoda-se para o acasalamento tomando atitudes características da espécie e este comportamento é denominado reflexo estral. A cadela, por exemplo, levanta e desvia a cauda e a porca fica imóvel para facilitar a execução da cópula que é bem demorada.

A cópula abrevia o cio nas fêmeas de ovulação provocada.

Com relação ao cio as fêmeas apresentam os seguintes distúrbios:
a) Ninfomania: é o cio muito exaltado e constante. As causas determinantes geralmente são vaginite e inflamação do clitóris;

b) Cio Silencioso: a ovulação pode não vir acompanhada de manifestação externa, é o caso da vaca com cria ao pé;


c) Falso Cio ou Cio Anovulatório: ocorre o cio mas não ocorre ovulação.


12.9 Cópula

É o ato sexual realizado por indivíduos de sexo diferente fins perpetuar a espécie. Também é conhecida como coito, cobrição e cobertura. A cópula possui 4 fases bem distintas: Excitação, ereção, ejaculação e orgasmo.
Excitação: é o desejo sexual e denomina-se libido. Esta fase depende muito da visão, olfato e tato. A capacidade de desenvolver os reflexos de cópula chama-se “Potência Coeundi”.
Ereção: é o conjunto de transformações sofridas pelo pênis, que quando ereto sai parcial ou totalmente do prepúcio. A ereção se deve a mecanismo reflexo. O impulso da ereção pode nascer do cérebro, o que é mais comum no homem. Quando ocorre a ereção, geralmente é liberada a secreção das glândulas bulbo-uretrais.
Ejaculação: divide-se em emissão e ejaculação propriamente dita. A emissão consiste na passagem do sêmen pela uretra, sendo responsabilidade das fibras nervosas simpáticas. A ejaculação propriamente dita consiste na saída do sêmen para o exterior e é responsabilidade das fibras parassimpáticas. Tem seu centro nervoso localizado na medula lombar, que se aciona pela excitação mecânica e pela excitação térmica vaginal. Nos ruminantes o estímulo para a ejaculação é dado à base do pênis, pela vulva durante o ato. A cópula é rápida e de um só golpe. Nos cães o estímulo é feito na glande pelo movimento de vai-e-vem e o sêmen sai em gotas. Nos suínos quem estimula a ejaculação é a pulsação vaginal sobre a glande e a liberação do sêmen é feita intermitentemente. Nos solípedes a ejaculação também é intermitente e o estímulo é feito na glande pelo movimento de vai-e-vem e o volume ejaculado se divide em 3 frações: fração pré-espermática, espermática e pós-espermática.

Fração pré-espermática: tem maior volume seminal e menor concentração espermática.
Fração espermática: a concentração espermática é elevada.
Fração pós-espermática: a concentração de espermatozóide é bem menor.

Orgasmo: é a sensação de prazer decorrente da ejaculação.

Existem 3 tipos de cópula a saber: Uterina, Tubárica e Vaginal.
Na cópula uterina o sêmen é depositado no útero. É uma cópula relativamente demorada, com elevado volume de sêmen e baixa densidade espermática. Ex: eqüino e suíno.
Na cópula tubárica o sêmen é depositado diretamente na tuba. É uma cópula ultra-jato em que o volume de sêmen é baixo enquanto a densidade espermática é elevada. Ex: galo.
Na cópula vaginal o sêmen é depositado diretamente na vagina, com baixo volume seminal e alta densidade espermática. Geralmente é uma cópula rápida, exceto nos cães. Ex: Ruminantes e cães.

A duração da cópula varia conforme a espécie animal. Nos eqüinos pode durar até 4 minutos sendo 30” para ereção e 30” para ejaculação. Nos suínos a duração pode chegar até 10 minutos, com média de 5. Nos cães dura de 15 minutos para mais, devido à protuberância do corpo cavernoso (nó) que impede a retirada do pênis. Nos ruminantes, leporinos e aves, dura alguns segundos.

É muito comum haver anormalidades de cópula, como coito simulado, em que o macho deixa a fêmea antes de ejacular, taquispermia, quando o macho ejacula precocemente, coito ante-portas, quando o macho ejacula antes da penetração. Podemos ainda considerar como anormalidades as mordidas, coices, animais de grande porte com pequeno porte, fêmea que não aceita ser coberta, erros de penetração, etc.
Para a escolha de um bom reprodutor devemos antes fazer uma avaliação deste animal, observando sua libido, examinando seu sêmen e testículos para se verificar se não há criptorquidia, hipoplasia, epididimite, etc.

12.10 Fecundação

Uma vez depositado o sêmen no aparelho reprodutor feminino, os espermatozóides resistem por tempo determinado. Na cadela 120 horas, na porca de 24-48 horas, na ovelha 48-60 horas, na vaca 24-48 horas, na égua 144 horas (6 dias).
Uma vez o óvulo sendo fecundado, o zigoto decorrente é transportado da tuba para o útero e o tempo que decorre este transporte, varia conforme a espécie animal. Na porca 24-48 horas, na cadela 7-10 dias, na gata 6 dias, na ovelha 3 dias, na vaca 4 dias e na égua 4-6 dias.
Uma vez chegando ao útero, haverá a implantação cujo tempo de consolidação varia conforme a espécie animal.
Na égua, uma vez implantado, o trofoblasto passa a produzir GC que estimula o Corpo Lúteo a se manter ativo.
Se o óvulo não for fecundado ele terá uma viabilidade muito curta. Na vaca 6 horas, na égua 4-8 horas, na ovelha 24-30 horas e na porca 24 horas.

Depois de ejaculado o espermatozóide acha-se revestido por substâncias lipoprotéicas seminais que lhe confere proteção contra lise e fagocitose. Para realizar a fecundação ele se despe da proteção e este processo denomina-se “capacitação”.
Com a capacitação o acrossomo libera as enzimas acrosina, neuramidase e hialuronidase, quando da sua união com o óvulo. O óvulo é revestido por uma camada mucoprotéica designada de zona pelúcida. Esta zona apresenta células especiais que a circundam – Cumulus Oophorus.
Com a reação acrossômica o gameta penetra no óvulo, isto porque a hialuronidase degrada mucopolissacarídeos e a acrosina cinde proteínas. A função da neuramidase é evitar poliespermia no óvulo.

O blastocisto antes de penetrar no endométrio secreta substâncias que prolongam a vida do Corpo Lúteo (estógenos, interferons, proteína B) este período é chamado de reconhecimento materno da gestação.

A fecundação pode apresentar várias anomalias tais como: (a) Fecundação múltipla, que é a presença de dois ou mais fetos em fêmeas que normalmente produz um; (b) Poliespermia, que quando 2 espermatozóides penetram num mesmo óvulo, o que gera indivíduos teratogênicos, comum em aves; (c) Superfecundação, quando óvulos de um mesmo ciclo estral são fecundados por machos diferentes, como ocorre na cadela.

Os vertebrados quando engravidam, apresentam ou não os anexos embrionários. Os que não apresentam são chamados de Anamniotas (peixes, batráquios) e os que apresentam são os amniotas (mamíferos, répteis e aves).

Os amniotas são classificados em coriatas e acoriatas, sendo que os primeiros apresentam 3 anexos embrionários, que são o âmnion, alantóide e córion. Os últimos não apresentam córion (aves e répteis).

Ligando o córion ao útero (nos coriatas) está a placenta. Nos desciduados – forte ligação córion-alantóide – a placentação ocorre concomitantemente à nidação, pois o embrião agride o útero e nele se aprofunda. Nos indesciduados a fixação ocorre pós-placentação, permanecendo o embrião livre no útero por um tempo.

Primeiro se forma o córion, membrana mais externa, que entra em contato com o útero. Do córion, por invaginação se forma o âmnion, membrana mais interna, formando um saco cheio de líquido que engloba o embrião (bolsa d’água). A terceira camada é o alantóide, que também é um saco que funciona como um receptáculo de urina e excreções sólidas do feto.

Existem algumas espécies em que as relações córion/útero são superficiais e o tecido fetal no parto, separa-se facilmente. Ex: égua e ruminantes.

A placenta tem como funções precípuas:

a) Nutrição do embrião e feto, através de sua permeabilidade seletiva;
b) Defesa imune porque impede a passagem de microorganismos da mãe para o feto;
c) Defesa contra ações mecânicas, funcionando como um amortecedor;
d) Secreção de diversos hormônios como estrógenos, prostaglandina, progesterona, gonadotrofina coriônica, relaxina, Prolan-A e Prolan-B. O Prolan-A tem função de FSH e é produzido pela placenta da égua e o Prolan-B tem função de LH;
e) Respiração fetal, pois como os pulmões do feto estão em apnéia, é a placenta quem realiza a hematose;
f) Excreção, realizando um trabalho semelhante aos rins.

Histologicamente a placenta foi classificada em 5 tipos distintos: Sindesmo Corial, Epitélio Corial, Endotélio Corial, Hemocorial e Hemoendotelial.

Sindesmo Corial: O córion agride o epitélio uterino em determinados pontos isentos de glândulas, onde se formam as carúnculas uterinas, envolvendo-as com os cotilédones fetais, formando o conjunto o que denominamos placentoma. Este tipo corresponde à placenta cotiledonária. Ex: ruminantes.

Epitélio Corial: corresponde à placenta difusa. O córion está em contato com o epitélio uterino. Ex: égua, jumenta.

Endotélio corial: corresponde à placenta zonária, em que o epitélio corial fica junto ao endotélio materno. Ex: cadela, gata.

Hemocorial: as vilosidades coriais penetram nos vasos materno, banhando-se de sangue. Ex: primatas.

Hemoendotelial: capilares fetais são banhados pelo sangue materno. Ex: coelha.

12.10.1 Fases da Gestação

Divide-se para fins de estudo em fase embrionária e fase fetal. A fase embrionária é de pequena duração e caracteriza-se por grande diferenciação celular. Sua duração varia conforme a espécie animal. Na vaca 45 e na ovelha 35 dias.
A fase fetal: nesta predominam os fenômenos de crescimento sobre os de formação e se finaliza com o parto.
Com a gestação, o corpo lúteo de vida efêmera, passa por um período de estabilidade maior ou menor de acordo com a espécie animal. Na vaca, cabra e porca, dura no mínimo 2/3 da gestação; na ovelha regride 2-3 semanas antes do parto; na égua involui a partir do 1º mês, sendo substituídos por novos corpos lúteos (amadurecem novos folículos) e esses novos amadurecimentos decorrem da ação do Prolan-A a partir do 40º dia.
A duração da gestação também é variável, dependendo da espécie, raça, estação do ano, sexo dos fetos, número de fetos, etc.

DURAÇÃO DA GESTAÇÃO (Em dias)
............................................................................................................................
Espécie Variação Média Espécie Variação Média
............................................................................................................................
Elefoa 550-670 610 Asininos 348-377 360
Égua 320-350 336 Vaca 275-285 280
Ovelha/cabra 144-156 150 Porca 110-128 114
Cadela 60=66 63 Gata 56-60 58
............................................................................................................................


FATORES QUE INFLUENCIAM A DURAÇÃO DA GESTAÇÃO

Raça: as puras apresentam tempo maior de gestação.
Sexo do Feto: Machos apresentam tempo maior de gestação (nas espécies monotócicas).
Gemelaridade: menor tempo de gestação nas grandes espécies (distensão do útero e produção de corticóides).
Idade da mãe: fêmeas mais velhas apresentam maior tempo de gestação ( talvez por diferenças metabólicas e hormonais).
Tamanho e número de fetos: quanto maior o número de fetos menor o tempo de gestação.
Estação do ano: maior quantidade de alimento, menor tempo de gestação.

12.11 Fisiologia Fetal

Como não há grande necessidade de energia, porque não há atividade muscular, a termo-regulação é praticamente responsabilidade da mãe.

O crescimento fetal se deve naturalmente pela ação da Somatotropina. O aparelho digestivo, não recebe alimento via oral, produz apenas mecônio que é o conjunto de secreções digestivas e células epiteliais descamadas.

O que é depurado pelos rins é eliminado para o saco alantóide. A respiração fetal e a circulação, serão discutidas na Disciplina Fisiologia II.

12.12 Parto

Nada mais é que a expulsão do feto depois de atingir completo desenvolvimento. Quando a expulsão ocorre no período normal de gestação, diz-se que o parto é a termo.
Quando a expulsão ocorre com o produto não viável se denomina aborto. Quando o parto se verifica em limites extremamente precoce ou tardio, se denominam de parto precoce ou serotino, respectivamente.
Quando o parto se realiza em condições de normalidade, chama-se parto eutócico e quando ocorre complicações na expulsão do feto, chama-se parto distócico.
O mecanismo do parto é determinado por fatores hormonais, neurais e mecânicos, devidos ao feto e à mãe.
O estímulo mecânico produzido pelo aumento de volume do conteúdo uterino sobre o útero, cérvix e vagina estimula a secreção de ocitocina pela neuro-hipófise.
O estímulo hormonal ocorre por secreção tanto placentária como fetal. Quando o feto está pronto para o nascimento, 48 horas antes, secreta uma grande carga de corticóides, que estimula a produção de prostaglandina e esta inibe a produção de progesterona.
Com a secreção de corticóides fetal, ocorre oxidação de fosfolipídeos, cujo metabolismo libera ácido aracdônico e este determina liberação de prostaglandina.
A prostaglandina auxilia nas contrações do parto porque ela determina liberação de cálcio que ativa as miofibrilas actina e miosina, iniciando as contrações.
Com a queda no nível de progesterona, a placenta passa a secretar estrógeno e este sensibiliza o útero para a ação da ocitocina que passa a ser liberada cada vez mais em maior quantidade, ocorrendo então as contrações uterinas.
Também ocorre a secreção de relaxina com função de amolecer a pélvis. Outros fatores de ordem externa também influem no parto, como, por exemplo, luz, som, estresse, etc.
Para fins didáticos o parto se divide em 3 fases: Prodrômica, Dilatação e Expulsão.

Fase Prodrômica ou de Preparação: ocorre modificações no teor hormonal, presença de secreção láctea e tumefação vulvar. A gestante procura um local cômodo e tranqüilo.

Fase de Dilatação do Colo Uterino: nesta fase iniciam as contrações e dores do parto. As contrações aumentam de freqüência e intensidade paulatinamente. Ocorre a ruptura das bolsas amniótica e alantóide.

Fase de Expulsão: esvaziado o conteúdo aquoso, o útero se adapta ao feto, forçando-o para fora, iniciando a expulsão. O processo é mais doloroso nesta fase, devido ao tamanho do tórax ser maior que a pélvis.

A vaca pare deitada e o parto eutócico dura no máximo 2 horas e a placenta é expulsa de 2 a 8 horas após o parto. A ovelha pare arqueando o dorso e a expulsão leva em média 30 minutos. A égua e jumenta parem deitadas ou de pé e o feto é expulso entre 10 e 30 minutos. A cadela pare deitada e a expulsão leva de 3 a 6 horas.

Terminado o parto, os órgãos genitais, especialmente o útero, começam a involuir e o período decorrido até a completa involução chama-se “puerpério”. O período puerperal tem a duração característica da espécie. Na vaca é de 45 dias, na ovelha 35 dias, na égua de 13 a 25 dias, na porca 30 dias e na cadela e gata 90 dias.


12.13 Aspectos da Reprodução das Aves

No macho os testículos localizam-se na cavidade abdominal próximos aos rins; o epidídimo é pouco desenvolvido e o pênis bem pequeno, com exceção do pato e ganso.
A maturidade ocorre entre 5 e 7 meses, dependendo basicamente da nutrição e luminosidade. A partir do 2º ano de vida a espermatogênese diminui bastante, porém sua capacidade de cópula continua sendo de até 100 vezes ao dia.

Na maioria das fêmeas o aparelho genital compreende um ovário e seu respectivo oviduto, isto porque ainda na vida embrionária o ovário e oviduto direito se atrofiam. Os folículos em número por volta dos 12.000 se desenvolvem a partir dos 4 meses. O folículo se rompe e o ovócito vai para o oviduto. Uma particularidade interessante das aves, é que uma ovariectomia pode induzir o desenvolvimento do ovário direito, porém com função espermatogênica.

O oviduto se divide em infundíbulo, porção principal e istmo.
Infundíbulo ou Pavilhão: é o local onde ocorre a fecundação.
Porção Principal ou Magno: é o local onde ocorre a secreção de albumina do ovo. A gema tem suas proteínas e gorduras produzidas pelo fígado.
Istmo: local onde ocorre a formação das membranas da casca e contém a câmara calcífera (glândula da casca) onde o ovo permanece de 8 a 20 horas, indo após para a vagina que se localiza na cloaca. A vagina armazena espermatozóides viáveis por vários dias.
A casca do ovo está composta de 98% de carbonato de cálcio.
Da liberação do ovócito até a formação do ovo completo, leva de 25 a 26 horas. Desencadeado o processo de postura, o primeiro ovo é posto no início da manhã e os subseqüentes são postos cada vez mais tarde até que o último é posto à tardinha.
O ovo posto, se fertilizado, ol embrião já está no estágio de gástrula.
Por ação de prolactina após a postura, a ave entra em choco para realizar a incubação dos ovos que tem uma duração que varia conforme a espécie da ave. Na avestruz é de 42 dias; Na para, 30 dias; no ganso e peru, 28 dias; galinha, 21 dias e pomba 16 dias.
Não havendo interesse no choco, podemos inibi-lo com remoção dos ninhos, colocação em ambiente estranho e desconfortável (piso de tela, por exemplo), aumentando a luminosidade por dia, transferindo de local ou usando drogas inibidoras de prolactina.
Ao nascer o pinto tem reservas nutricionais para supri-lo por 24 horas.


13. ETOLOGIA


A terra é habitada por 1.200.000.000 de animais de espécies diferentes, sendo que os insetos apresentam maior riqueza de espécies, com cerca de 900.000. Somente os vertebrados perfazem 58.000 espécies e destas, 10.000 são mamíferos, sendo que penas um número muito reduzido foi domesticado pelo homem.

O termo etologia origina-se do grego “ethos” cujo significado é “hábito” ou “costume”. Portanto, o termo etologia traduz-se como a ciência que estuda o comportamento dos animais, tendo então, como função, analisar as leis que regem as manifestações comportamentais e vitais dos animais, em condições naturais e artificiais, bem como analisar as suas causas.

O conhecimento do comportamento dos animais domésticos em seu habitat natural é fundamental para se obter condições ideais de criação e alimentação, assim como para o treinamento das diversas espécies.

Devemos observar também as características sociais dos animais. As espécies que vivem em grupo em condições naturais, necessitam de uma “hierarquia social” de conformidade com sua força e agilidade nas lutas que estabelecem entre si.

Quando se introduz novos animais nos grupos já formados, estes têm que se confrontar com todos os membros do grupo e isto muitas vezes leva a inquietações e conseqüente redução do crescimento e produção.

Algumas espécies como os gatos não se socializam o que não acontece com a maioria das espécies.

No comportamento animal distinguimos 3 componentes: Mecanismo Desencadeante, Programa e Impulso.

Mecanismo Desencadeante: é provocado por estímulos que podem ser tanto endógenos como exógenos. Nesse desencadeamento comportamental as informações provenientes dos órgãos dos sentidos, como as hereditárias têm papel preponderante. Alterações nas funções endócrinas exercem influência no limiar que desencadeia determinado comportamento.

Programa: Nos animais domésticos ocorre predominância de comportamentos inatos que são úteis à manutenção da vida, havendo programas básicos para ingesta alimentar, acasalamento, defesa, fuga, ataque e comportamento social.

Impulso: para ser executado um programa comportamental depende sempre das condições do meio ambiente e condições vitais.

No treinamento dos animais é importante recompensá-los quando conseguem executar determinado programa (ex.: salto).

Durante o desenvolvimento, somam-se as informações hereditárias e as adquiridas no transcorrer da vida (experiências adquiridas). Dos animais domésticos, prestam-se ao treinamento e aprendizado, principalmente cães e eqüinos. Devido à domesticação que através dos tempos os animais vêm recebendo, muitos comportamentos se modificaram.

13.1 Comportamento Característico

De acordo com as particularidades de construção de seu organismo, os animais apresentam diferentes comportamentos e essas manifestações estão intimamente relacionadas com os mais diferentes órgãos e sistemas do organismo, como SNC, glândulas endócrinas, órgãos sensoriais, aparelho locomotor e aparelho digestivo.
As manifestações comportamentais estão diretamente ligadas à hereditariedade, no entanto, podem ser modificadas até certo grau pelo meio ambiente.

Cada espécie desenvolveu, através dos tempos, um comportamento típico característico, visando a procura alimentar, reprodução, defesa própria e dos filhos, atuação dentro do grupo, etc.

Para construção de um “etograma”, se dá ênfase, na descrição comportamental comparada das seguintes manifestações:

1. Locomoção;
2. Acomodação;
3. Comportamento ligado ao metabolismo:
a) Apreensão e ingesta de alimentos;
b) Excreção de resíduos;
c) Armazenamento de alimentos;
d) Repouso e sono.
4. Comportamento de proteção e defesa;
5. Comportamento territorial;
6. Comportamento reprodutivo;
7. Comportamento social;
8. Comportamento construtor;
9. Comportamento lúdico;
10. Desenvolvimento do comportamento.

Os hábitos alimentares variam conforme a espécie. Os herbívoros em função da ingesta alimentar em geral são pacíficos e sua defesa geralmente é a fuga, lutando apenas nos casos de escassez alimentar.
Já os carnívoros, em condições normais são agressivos, principalmente em relação às espécies que se destinam a presas.

Nos herbívoros as informações visuais, auditivas e olfativas têm papel preponderante na orientação no meio ambiente.
Para o cão o olfato é o sentido de maior importância; nas aves a visão e a audição são de igual importância.
Existem diferenças quanto a eliminação de fezes e urina. Os herbívoros eliminam automaticamente assim que ficarem repletos bexiga e reto; já os carnívoros podem ser “educados” e aguardar o momento certo para satisfazer suas necessidades fisiológicas.

Na maioria das espécies a ingesta alimentar, predação, etc., predominam durante o dia, mas existem espécies que predominam na noite, ocorrendo, no entanto alterações por problemas de alterações climáticas.

13.1.1 Comportamento do Cavalo

A domesticação dos eqüinos ocorreu aproximadamente 3 mil anos após a dos ovinos, caprinos, suínos, bovinos e caninos. Ocorreu na Ásia e na Europa, sendo considerado um fator de extrema importância no desenvolvimento de civilizações milenares daqueles continentes. Desde o início da relação com os seres humanos esses animais foram utilizados em guerras, torneios aristocráticos e desfiles de ostentação social, e são mantidos, até hoje, como meio de transporte. Muitas vezes carregam excesso de carga, puxam charretes de grandes dimensões e peso, em decorrência do número de pessoas transportadas e colaboram na sobrevivência de muitas famílias que dependem deles para o transporte de materiais inservíveis em carroças, entre outros fins, servindo, ainda, de divertimento em diferentes espetáculos como circos, rodeios, corridas, lutas, saltos e pólo.
Os cavalos contribuem com o bem-estar humano, sendo utilizados em diversas atividades como a prática de esportes, lazer, terapias mediadas por animais e, até, como simples objeto de status.
Em condições naturais os cavalos vivem em grandes grupos, onde diariamente percorrem grandes distâncias e em liberdade pastam praticamente durante dois terços do dia (16 horas), ocupam-se com brincadeiras por cerca de quatro horas, sendo o restante do tempo preenchido com repouso.
Apresentam boa visão à distância, boa audição e ótimo olfato. Para defesa e luta utilizam a mordida e coices e o mais forte é “eleito” líder da manada. O líder sempre é garanhão e na falta deste assume a liderança a égua mais velha. Na sociedade eqüídea, existem apenas indivíduos superiores e inferiores do ponto de vista hierárquico. Quem não se afirma como superior está declarando sua condição de inferior. Numa manada, ter um líder fraco torna o grupo vulnerável ao ataque de predadores.
Com a domesticação foram selecionadas raças principalmente para tração, equitação e para corrida.
Uma liderança humana fraca, seja por características pessoais do “líder humano” ou por desconhecimento que ele tenha destes fatos, causará estresse entre os cavalos. Os cavalos de personalidade mais dominante disputarão a liderança com a pessoa, às vezes sem que ela entenda o que está acontecendo. Um exemplo é a pessoa circulando em volta de um cavalo imóvel, tentando capturá-lo. Desta maneira, a pessoa está se declarando hierarquicamente inferior ao cavalo, que poderá disputar a liderança.

O cavalo na juventude tem grande capacidade de aprendizado, mas devemos ter o cuidado para que a adaptação seja gradativa, sendo importante não assustar o animal e evitar o seu cansaço excessivo. Os estímulos têm que ser facilmente identificados pelo animal e além disso é importante recompensá-lo com afagos, petiscos, etc, quando da execução correta da atividade.
Os vícios comportamentais (coice, disparar, rebeldia) podem ser evitados. Em geral são causados por condições ambientais inadequadas (restrição de movimento, isolamento, estábulos escuro) e maus tratos. Quanto mais cedo forem eliminadas as causas desencadeantes destes vícios, tanto maior a probabilidade de eles desaparecerem.

A primeira reação de um cavalo frente ao perigo é fugir. O instinto de luta é acionado apenas quando a fuga é impossível. O cavalo que vai para o confronto já está estressado.
Por ocasião do nascimento os sentidos e a musculatura já estão bem desenvolvidos. Já demonstra interesse pelo meio ambiente e é cuidadosamente controlado pela mãe. Já entre 5 a dias do nascimento passam a ingerir pequenas quantidades de alimento vegetal. Nos primeiros 6 meses de vida a coprofagia é considerada normal, desde que as fezes seja da mãe, pois esta apresenta feromonas que o induz a isto.

A maturidade dos eqüinos inicia entre 10-12 meses e a partir dessa idade o tempo de ingestão alimentar passa a ser bem longo, alternando-se com períodos de repouso.
De forma semelhante aos cavalos selvagens os cavalos domésticos dormem pouco tempo durante a noite, ocorrendo 12 a 18 períodos curtos de sono, de tal forma que observações realizadas mostram que esta espécie usam 80% do tempo em estado de alerta, 8% em vigília relaxada, 8,7% em sono sincronizado e 3,3% em sono profundo (paradoxal). Devido suas particularidades da estrutura dos tendões e ligamentos dos membros, os cavalos também podem dormir em pé. Na realidade das 24 horas do dia eles permanecem nesta posição (de pé) 92% do tempo.
O impulso sexual é mais forte na primavera e verão.
Estímulos de contato e olfato são importantes quando 2 animais se encontram, ambos se examinam a certa distância, em seguida tocam as narinas e após exploram corpo e cauda. Quando ambos se “aprovam” se mordiscam na região da crina e quando se perdem da manada relincham em sinal de socorro ou relincham na presença de perigo iminente.

Durante a cobertura observa-se várias fases. Na fase preliminar o garanhão aproxima-se para conhecer a fêmea, cheirando vulva e virilha e logo após mordisca a sua nuca. Se não for rejeitado, após um certo grau de excitação acontece a monta seguida da penetração, ocorrendo cerca de 10 movimentos e então ocorre a ejaculação com a fêmea completamente imóvel.

13.1.2 Comportamento dos Bovinos

Os bovinos são animais gregários – ou seja, vivem em grupos – e isto é tão importante que os animais isolados apresentam-se estressados, exceção das vacas próximas ao parto que se isolam para parir.

Em rebanhos criados extensivamente, os bovinos definem a área de vida, onde eles desenvolvem todas as suas atividades. Essa área pode ser subdividida em área de descanso e área de alimentação.

No decorrer da história, os bovinos sempre formaram grupos sociais, o que hoje em dia pouco acontece devido o manejo que lhe é imposto, separando-os por sexo, idade, etc. Nesses grupos forçados pelo homem a liderança é adquirida na maioria das vezes pela agressão, pela força.

Num rebanho só de fêmeas, a liderança é geralmente da vaca mais velha. O touro dominante utiliza-se de subordinados para detectar o cio e ao mesmo tempo excitar as fêmeas.

Sob condições naturais os bovinos vivem em rebanhos, pastam o dia inteiro, do nascer ao por do sol e percorrem no mínimo de 5-6 Km por dia, pois selecionam muito bem o alimento. Se a temperatura eleva-se muito, pastam também à noite. Todos pastam e ruminam ao mesmo tempo.
Caracterizam-se pela pacificidade, cuja reação de defesa geralmente é a fuga, com exceção nos casos de cio e pós-parto.

Durante o dia ocorrem de 4-5 períodos de pastagem, que acontecem principalmente cedo e no início e final da tarde, porém podendo ocorrer alterações por problemas climáticos. Dependendo da qualidade do pasto, o tempo de ingesta alimentar varia de 4 a 9 horas/dia. Para a ruminação também utilizam um tempo de 4 a 9 horas dividido em 15 a 20 períodos ruminatórios.

A ingestão hídrica depende da qualidade do alimento, bem como das condições climáticas e da produção de leite.

A defecação ocorre sempre que o reto estiver repleto, em qualquer posição que esteja o animal.

Os bovinos dormem à noite por pouco tempo, ocorrendo de 10-18 ciclos de sonolência.
Duas a cinco horas após o nascimento o terneiro começa a mamar e nas primeiras horas a orientação do filho ocorre pelo sentido do olfato, logo após a visão começa a participar e 4 dias pós-nascimento também se utiliza da audição. O controle olfativo da mãe se dá na região anal do filho.

Cinco minutos após o nascimento a mãe já reconhece o filho pelas características olfativas e gustativas, o que faz por cheiradas e lambidas. Se o filho for separado e voltar num período de 12 horas ainda é reconhecido e após esse tempo a capacidade de reconhecer vai diminuindo e 24 após a separação já não o aceita mais.

Se o terneiro nascer sem que a mãe o tenha cheirado e lambido, num espaço de 1-5 horas qualquer terneiro pode ser enxertado que ela o aceitará. Se, no entanto, num espaço de 5 horas ela não tiver contato com nenhum terneiro, ela não aceita nem o filho nem qualquer enxerto.

Quando se introduz um animal novo num rebanho, este tem que medir forças com os demais com fins organização da escala hierárquica. As lutas por lideranças iniciam já a partir do 5º mês do nascimento.

13.1.3 Comportamento dos Ovinos e Caprinos

Os comportamentos dos caprinos e ovinos são quase todos bastante conhecidos, no entanto, é sempre bom rever e examinar o que eles significam e porque acontecem. Quanto mais percebermos o que está a acontecer, logicamente, poderemos aprimorar o seu maneio e tornar o seu gerenciamento da criação superavitário.

Basicamente são oito, os tipos de comportamento que são facilmente reconhecidos:

O hábito de pastar - Os caprinos pastam de forma bem diferente que os ovinos e os bovinos, enquanto que estes, comem capim que cresce no solo, os caprinos comem primeiro as folhas das árvores e dos arbustos.

Em condições naturais os caprinos não destroem a vegetação, porém, se houver superpovoamento da área, certamente eles comerão tudo que estiver disponível. Este habito se for bem aproveitado pode gerar uma renda extra para o criador, já que cabras não competem com os ovinos e bovinos na mesma alimentação.

Pode mos considerar que os caprinos prestam mais um serviço, elas "limpam " o pasto, ou seja elas comem o que os outros ruminantes não comem.

Dependendo das condições climáticas e qualidade do pasto os ovinos percorrem cerca de 5-13 Km diários. Sob iminente perigo os animais se juntam num rebanho compacto, para fugir sob orientação do líder. Isto facilita a condução do rebanho por cães até as mangueiras.

A ruminação ocorre em cerca de 15 períodos, levando para isto, cerca de dez horas.
Os ovinos permanecem em vigília cerca de 84% do dia e os carneiros chegam a cobrir, se soltos no rebanho, cerca de 12-15 ovelhas ao dia.

O uso de água - Os caprinos bebem pouca água, o volume é aproximadamente de188 cc/kg/24 horas, só o camelo bebe menos água, 185cc/kg/24horas. Em clima ameno onde a transpiração é menor, o caprino praticamente não bebe água se a vegetação tiver pelo menos 60% de humidade, enquanto que os ovinos bebem um pouco mais.

Amamentação - Pouco depois de nascer os cabritos e os borregos já querem mamar. Por instinto eles começam a chupar o corpo da mãe na procura das tetas. Geralmente eles começam a tentar mamar nas pernas dianteiras, vão tentando em diferentes partes e eventualmente acham-nas nas primeiras tentativas.

Após o segundo dia, ambos já sabem mamar sem problemas. É interessante notar que dão sempre cabeçadas no úbere da cabra, isso serve para soltar o leite, podem assim mamar mais. Quando o parto é gemelar, cada um tem sua teta para mamar.

Eliminação das fezes e urina - É o tipo de comportamento pouco observado pelo criador, mas não menos importante. Os caprinos e ovinos não marcam território com fezes e urina como vários outros animais. No entanto, o bode e o carneiro identificam a cabra e a ovelha, respectivamente, que está em cio pelo cheiro da sua urina.
Na natureza , também evitam de se alimentar de pasto onde houve a eliminação de excrementos.
Em regime intensivo, muitas vezes este item não é considerado e resulta em infestação de verminoses.

Outro comportamento bem intrigante que todos os caprinos fazem, é o movimento rápido do balanço do rabo após defecar, até ao presente momento não há uma explicação cientifica para o fato.

Atividade sexual - O cheiro do bode é estimulante para as cabras, assim como o do carneiro para com as ovelhas, pouco antes do cio se manifestar. As cabras tornam-se dóceis e esfregam o seu pescoço no corpo do bode. Já o comportamento do bode é bem diferente, ele torna-se agressivo, cheira a urina estica o pescoço, move os lábios e põe a língua para fora , já o carneiro torna-se agressivo, marrando-lhes por vezes.

Após identificar a cabra no cio, o bode tenta separá-la do rebanho e em seguida cava o chão em sinal de masculinidade. A seguir ele cheira e acaricia a área genital da cabra e em seguida tenta a copulação. Caso a cabra não esteja receptiva, o bode irá tentando sem parar, o desgaste de energia é grande e a perda de tempo também.
Se houverem outras cabras em cio, o prejuízo será visto através do baixo índice de fecundação, e o resultado será menos cabritos para o criador. No caso do carneiro, o seu comportamento, para com as fêmeas, é idêntico ao do bode.

Cuidado materno - Perto de parirem as cabras e ovelhas afastam-se do rebanho. Após a parição, ambas lambem a cria para estimular a circulação e geralmente comem os restos do parto.
A identificação do cordeiro e do cabrito pela mãe dá-se através do olfato na região anal e a seguir através dos balidos.

Se após o parto mantivermos os recém-nascidos separados das mães, por mais de duas horas, as chances de rejeição aumentarão drasticamente, pois o cheiro não ficou bem marcado nas suas memórias.

O domínio do bode e do carneiro - Tanto o carneiro como o bode detêm o domínio do rebanho, eles lutam e brigam por este controle, se outro animal tentar tomar este domínio há luta certa. O domínio de ambos, é imposto pela idade, por brigas vencidas. Bodes e carneiros descornados têm menos chances de defesa. Se um novo elemento masculino é trazido para o rebanho eles terão que lutar para estabelecer o seu nível hierárquico dentro do rebanho.
Cordeiros e cabritos, recém-nascidos, de até 4 dias, criados juntos e sem contato com animais de sua própria especie, ssofrem uma “estampagaem” recíproca. Nesse caso observa-se que o bode prefere uma ovelha e o carneiro, uma cabra pasra oa acasalamento. Pode-se então desencadear lo homossexualismo se forem criados cabritos e cordeiros juntos.

Proteção contra o clima - Os caprinos enfrentam bem as durezas do clima, tudo que eles precisam é de um abrigo contra as chuvas, já ovelhas, apesar de não serem tão rústicas, são também, sensíveis à chuva.

Ao menor sinal de chuva, todos correm para o abrigo, chegando ao abrigo antes do primeiro pingo cair. Os caprinos têm um verdadeiro horror de lama, se eles pudessem escolher livremente não pisar na lama, com certeza, eles estariam sem verminoses e parasitas. As cabras suportam bem altas temperaturas, porém, têm baixa tolerância para humidade. As ovelhas, já não suportam tão bem as altas temperaturas, devido ao seu manto de lã.

Conhecendo os seus comportamentos, seguramente faremos com que a mortalidade se reduza, pois ambos dizem-nos como gostam de viver. Só precisamos adotar métodos como eles vivem na natureza em regime intensivo.


13.1.4 Comportamento dos Cães

As origens do surgimento do cão doméstico baseiam-se em suposições, por se tratar de ocorrências de milhares de anos atrás. Uma das teorias é a de que os cães domésticos surgiram há 10 000 anos por seleção artificial de filhotes de lobos cinzentos e chacais que viviam em volta dos acampamentos humanos pré-históricos, alimentando-se de restos de alimentos ou carcaças deixadas como resíduos pelos caçadores.
Os humanos perceberam que havia certos lobos que se aproximavam mais do que os outros e reconheceram certa utilidade nisso, pois eles davam alarme da presença de outros animais selvagens, como outros lobos ou grandes felinos. Eventualmente, alguns filhotes foram capturados e levados para esses acampamentos humanos, na tentativa de serem criados ou domesticados.
Com o passar do tempo, os animais que, ao atingirem a fase adulta, se mostravam ferozes, não aceitando a presença humana, eram descartados ou impedidos de se acasalar. Deste modo, ao longo do tempo, houve uma seleção de animais dóceis, tolerantes e obedientes ao ser humano, aos quais era permitido o acasalamento e que, quando adultos, eram de grande utilidade, auxiliando na caça e na guarda do acampamento. Isto levou eventualmente à criação dos cães domésticos.
As diferenças entre as raças de cães já eram aparentes na Antiguidade. No Império Romano, os grupos caninos já tinham as suas características básicas similares às de hoje. Molossos, spitzs, pastores, entre outros já eram selecionados por suas aptidões e estrutura. Foram encontradas placas nas casas de Pompéia, com a inscrição cave canem (cuidado com o cachorro), explicitando que os cães já eram utilizados por aquele povo como guardiões, denotando a sua diversidade funcional.
Existem mais de 800 raças de cães reconhecidas em todo o mundo. Algumas raças são altamente especializadas, e há extraordinária diversidade morfológica entre diferentes raças. Apesar destas diferenças, os cães são capazes de distinguir cães de outros tipos de animais.
A raça é um grupo de animais que possui um conjunto de características hereditárias que a distingue de outros animais dentro da mesma espécie. Cruzar duas ou mais raças é também uma forma de criação de novas raças, mas é apenas uma raça quando haver descendência de um determinado conjunto de características e qualidades.

Uma única alimentação por dia (nutricionalmente bem rica) é suficiente para mantê-los bem nutridos. São perfeitamente capazes de resistir a períodos longos de escassez de alimento.
A ingestão líquida depende da qualidade do alimento, do tamanho do animal, bem como das condições climáticas. Animais de grande porte ingerem de 0,5 a 1,0 litro de água por dia, em porções pequenas. Após períodos de escassez de água, o cão ingere em curto espaço de tempo quantidades maiores, que correspondem aproximadamente ao défict de água.

A eliminação de fezes e urina (à semelhança dos lobos) é utilizada para demarcação territorial. Neste caso os machos são muito mais ativos, demarcando principalmente pela urina.

No desenvolvimento do animal recém-nascido distingue-se várias fases:

Primeiras duas semanas:os filhotes ficam praticamente apenas no ninho. Os olhos só abrem a partir da segunda semana, sendo que a capacidade total da visão co ocorre a partir da 6ª semana e a capacidade auditiva ao final da terceira. Por tratar-se de uma espécie macrosmática, seu olfato já está bem desenvolvido já ao nascer.
Após a quarta semana aumenta sua mobilidade, já se orientam fora do ninho e já começam a seguir a mãe ou as pessoas. Nesta fase começa também o comportamento lúdico, quando se desenvolve a hierarquia social entre eles. Nesse período também inicia o interesse de todas as coisas do meio ambiente, que são trazidas para brincar.
Entre oito e dez semanas termina o período de amamentação, passando os animais a depender exclusivamente do alimento disponível no meio ambiente.
Entre cinco a seis meses inicia-se no macho a eliminação da ruína ritual, graças a influência da testosterona, levantando a para traseira.

Os cães em condições naturais gostam de viver em pequenos grupos, nos quais se desenvolve uma hierarquia social. Para esta a idade, a força e a habilidade nas lutas desempenham papel preponderante.
Observa-se um maior comportamento de lutas quando defendem o seu território, daí sua utilização como animal de guarda.
Para o acasalamento, estímulos olfatórios são de fundamental importância e estes estímulos são oriundos da genitália e urina da fêmea em cio.

A cadela prenhe gosta de se isolar no final da gravidez em lugares quietos e escuros. Se tiver oportunidade, constrói um ninho para o momento do parto. O número de filhotes é em média de 5 animais, que nascem num espaço de duas a quatro horas, sendo que se o número for maior o espaço também aumenta.
Uma peculiaridade da cadela é desenvolver pseudociese e algumas raças desenvolve mais que outras.


Em condições naturais os cães vivem em pequenos grupos (matilha) com hierarquia social.
Para o acasalamento os estímulos olfatórios são de fundamental importância e estes estímulos partem da genitália e urina.

13.1.5 Comportamento dos Gatos

A domesticação do gato se deu em tempos bem precoces e com a finalidade de combater roedores nas habitações humanas e também como animal de estimação.
Em condições selvagens os gatos vivem isoladamente ou aos pares. Devido a isto o gato continua a levar uma vida individualista, mesmo após domesticação. Quando vários gatos vivem juntos, não se estabelece uma hierarquia social, apesar de podermos distinguir entre animais mais fortes e mais fracos. Nota-se também, mantendo um grupo de gatos, uma nítida preferência ou animosidade individual entre os vários animais.

Mantendo-se gatos em uma fazenda, eles consideram as terras circunvizinhas como território. Com a invasão de gatos estranhos podem ocorrer lutas acirradas se o animal invasor não recuar com as ameaças do “dono”.

Para a caça, em condições naturais são usados os dentes e as garras. Os gatos mostram uma grande agilidade e um ótimo desempenho dos órgãos sensoriais. São capazes de detectar os mínimos traços olfativos e reagem rapidamente a movimentos.

Para os filhotes podemos diferenciar duas fases:

Nas primeiras cinco semanas alimentam-se exclusivamente de leite materno. Mama pela primeira vez na primeira hora após o nascimento, com as mamadas seguintes ocorrendo em curtos intervalos.

Para reconhecer a mãe, utilizam-se do olfato e tato. Ao final da primeira semana de vida mamam sempre na mesma teta.

A partir da segunda semana já saem do ninho para explorar o meio ambiente. Ao completarem a quarta semana já apresentam uma excelente mobilidade e passam a apresentar comportamento lúdico entre eles e a própria mãe.

Depois da quinta semana começa a ingestão de alimento adicional, embora a amamentação se continue até o final do segundo mês de vida. Já acompanham a mãe nas caçadas. De inicio a mãe oferece passarinhos, camundongos, etc, e utilizam-se da agilidade adquirida nas brincadeiras para também caçarem.

Como já foi dito, os gatos vivem geralmente isolados, apenas durante o cio e na amamentação é que eles convivem entre si.
Sob condições climáticas temperadas se observa dois períodos de atividade sexual intensa, em fevereiro e em maio e junho. No período entre setembro e janeiro a atividade sexual fica bastante diminuída.

Antes do acasalamento ocorre pequeno período de reconhecimento, no quase eles se aproximam e se cheiram. Na cobertura o macho morde a nuca da fêmea, deitando-se horizontalmente sobre ela, o que é acompanhado por um forte grito dela. A cópula via de regra dura no máximo 10 segundos, pois a gata pula pasra a frente assim derrubando o macho.

A capacidade de cobertura do macho é muito grande, pois que em 30 minutos podem realizar de 3 a 8 cópulas. Por tratar-se de espécie de ovulação provocada, esta só ocorre se houver cópula.

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